O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) insinuou ontem que o governo federal pode estar por trás do escândalo do painel eletrônico do Senado. ‘‘Tudo isso aparece depois que eu faço uma campanha violenta contra o governo e alguém que teve interesse nessa votação, de não ter cassado (o ex-senador Luiz Estevão) deve estar por trás de tudo isso’’, disse.
ACM está preparando argumentos para contestar a versão apresentada pela ex-diretora do Prodasen, Regina Célia Borges. Ela disse ao conselho que violou o painel de votação a pedido do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), em nome do senador baiano.
Indagado se achava que o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso seria o responsável pela ‘‘trama’’ no Senado, ACM preferiu a cautela. ‘‘Não sei, acho que o presidente Fernando Henrique deve entregar este caso ao Senado sem fazer pressão de qualquer espécie como ele tem feito com alguns casos.’’
Magalhães criticou também a aparente ‘‘satisfação’’ de FHC com o caso. ‘‘Evidentemente o presidente quer fragilizar o Congresso no momento que a economia dá sinais de fraqueza e as críticas eram em torno do seu governo, portanto, com um Congresso mais frágil ele fica mais forte.’’
ACM negou existir qualquer acordo para evitar a cassação do seu mandato e do senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). ‘‘Não há acordo nenhum, apenas tive uma nota de apoio do PFL, que muito me honrou, e acho que é a opinião de outros senadores, agora também há outros da oposição que não querem ver com imparcialidade o assunto.’’
Magalhães deu as declarações pouco depois de visitar o Memorial Luís Eduardo Magalhães, ontem pela manhã, quando se completou três anos da morte do seu filho. Ele confirmou que pretende provar sua inocência no depoimento na Comissão de Ética do Senado, marcado, a princípio, para a quinta-feira. ‘‘Meu propósito é mostrar que os fatos são totalmente diferentes da versão apresentada pela doutora Regina e a verdade vai prevalecer, pois outros depoimentos devem também esclarecer o assunto’’, disse. ACM lamentou o pre-julgamento que estão fazendo sobre o caso.
‘‘Ela (Regina Borges) está passando por uma pessoa excepcional, (eu sempre acreditei que fosse) a partir do seu depoimento, e a imprensa fazendo um julgamento sem que haja sequer a oportunidade de se contraditar e mostrar que o depoimento dela não é verdadeiro’’, declarou, afirmando não ‘‘temer a verdade’’. ‘‘Por isso espero que na quinta-feira todo o Senado e a opinião pública brasileira tenha uma nova opinião.’’ ACM prometeu apresentar fatos ‘‘bem sérios’’ sobre esse assunto.
Sobre o fato de optar por ficar calado em relação ao caso, ACM contou que é uma estratégia. ‘‘Se eu não falar tudo no depoimento não terei o impacto necessário para fazer a minha prova.’’ Magalhães também defendeu o colega de infortúnio Arruda. ‘‘Não acredito que ele tenha feito o que doutora Regina diz’’, declarou.
Para amigos, ACM contou que vai insistir em sua ‘‘primeira e única’’ versão do caso. Ou seja, a de que nunca viu a lista e que apenas comentava como os seus colegas haviam votado por causa de avaliações feitas por outros senadores.
Sobre os telefonemas feitos por ACM para Regina, ele continuará insistindo que foi para conversar sobre outros assuntos. Ele deve admitir, porém, o encontro que teve com Regina Borges na casa de sua assessora Isabel Flecha de Lima. ‘‘Ela foi me pedir para eu nomear um funcionário que trabalhava no gabinete de Luiz Estevão’’, disse ACM numa conversa com um pefelista.
De forma reservada, ACM tem reconhecido que as avaliações são favoráveis à ex-diretora do Prodasen. Amigos próximos do senador baiano comentam que só em outro episódio viram ACM tão abatido como agora: na morte de seu filho Luís Eduardo Magalhães, há três anos. O próprio ACM tem reconhecido que a sua situação é difícil e já pediu ajuda para alguns senadores.

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