A briga do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com o presidente e líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), é apenas o movimento mais visível do xadrez político que ACM montou para ampliar seu espaço nacional de poder. Ao mesmo tempo em que trabalha para derrotar Jader e eleger José Sarney (PMDB-AP) seu sucessor na presidência do Senado, o pefelista desdenha a candidatura de sua correligionária, a governadora Roseana Sarney (PFL-MA) ao Palácio do Planalto, declara preferência pelo governador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para 2002 e articula-se com o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL).
Pefelistas avaliam que tanta movimentação pode desembocar até em uma guerra interna pelo comando do PFL, com o atual presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC). Mas ACM desconversa e não descarta sequer a volta ao governo da Bahia, em nome da unidade de seu grupo.
‘‘Não posso dizer que não serei, mas não desejo ser governador e sim, indicar o candidato’’, afirma Magalhães. Quanto à disputa pela presidência do Senado, porém, ele é bem mais enfático. ‘‘Pode escrever que Jader não será presidente’’, afirma.
Essa jogada de ACM pode desaguar na fatia de poder disputada pelo PFL de Pernambuco, terra do vice-presidente Marco Maciel (PFL). Caso Bornhausen insista em Jader para o Senado, ainda que em nome do apoio do PMDB à eleição do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), para presidente da Câmara, parlamentares ‘‘carlistas’’ avaliam que o racha será inevitável.
O confronto entre os dois já foi posto publicamente. Em reunião da executiva nacional do PFL para discutir o valor do salário mínimo, em abril, ACM ameaçou tomar a presidência de Bornhausen, afirmando ter a maioria do partido. Aliados, adversários e desafetos concordam que ACM é peça fundamental no jogo da sucessão do governo da Bahia, das presidências do Senado e da Câmara e da corrida presidencial de 2002.
‘‘Ele é craque em todas as frentes e, na Bahia, amarra o jogo político para manter a união, adiando ao máximo o anúncio do candidato a governador’’, afirma um de seus mais fiéis aliados. ‘‘Somos uma família unida, e ninguém vai nos desunir’’, sentencia ACM, enquanto pelo menos meia dúzia de correligionários disputa nos bastidores sua indicação para o Palácio de Ondina.
Especialistas em ACM e em política baiana afirmam que o preferido do chefe para o governo é o atual ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Mas os mesmos informantes acrescentam que quem tem mais votos e apetite para a disputa é o senador Paulo Souto, embora a lista de pretendentes inclua também o senador e ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, o prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, e os deputados José Carlos Aleluia e Benito Gama. Todos, naturalmente, do PFL.
ACM exercita sua influência montando jogadas para conquistar mais postos de poder e se diverte desmontando estratégias de adversários políticos ou desafetos, estejam onde estiverem: no PMDB, de Jader, no PSDB, do ministro da Saúde, José Serra, ou em seu PFL.
Ao mesmo tempo em que constrói a candidatura Sarney ao Senado, tumultuando o jogo do PMDB, ACM desmonta o trabalho do grupo de Bornhausen em favor da candidatura de Roseana ao Planalto. Ele argumenta, nos bastidores, que Sarney será mais útil à candidatura da filha na presidência do Senado, mas o grupo de Bornhausen discorda.
Pefelistas nordestinos de expressão nacional vêem no apoio de ACM à candidatura de Tasso uma ponte para chegar ao candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, contra quem o atual governador cearense garante que não concorrerá. ACM já deu sequência a seu jogo, tentando fazer sua influência chegar ao Sul, de Bornhausen. Foi assim que chamou o governador Jaime Lerner para uma conversa. Amigos de Lerner interpretaram o gesto como o início da costura política para levar o PFL ao posto de vice-presidente mais uma vez. Na cabeça de chapa, Tasso Jereissati.

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