São Paulo - A personalidade e o histórico político de Antonio Carlos Magalhães lhe renderam apelidos que resumem seu comportamento no trato com os amigos e com os inimigos. ''Toninho Ternura'', ''Toninho Malvadeza'', ''Imperador da Bahia'' e ''Dono do Mundo'' são algumas das alcunhas pelas quais ACM era conhecido.
Mas nenhum dos apelidos ficou tão gravado na memória dos baianos como ''Toninho Malvadeza'' devido ao estilo nada afável. Desde o começo de sua carreira política, em 1954, ACM se utilizou da prática de bater nos adversários.
Mas há quem garanta que ACM não é de todo ruim, e que os momentos de ''maldade'' foram estrategicamente conciliados com intervalos estratégicos de ''ternura''.
Em 4 setembro de 1997, quando completou 70 anos, ACM resumiu em uma frase o quanto era amado pelo povo baiano, e quem sabe até por adversários políticos. ''Só não me ama quem ainda não me conhece'', disse o aniversariante em entrevista à Folha, sobre a sua trajetória política.
Em uma entrevista ao apresentador Jô Soares, ACM foi questionado sobre quem o povo baiano gosta mais, do ''Toninho Malvadeza'' ou do ''Toninho Ternura''. ''Dos dois. A mistura dos dois'', respondeu o político.
Carlismo é a corrente política dos seguidores de Antonio Carlos Magalhães. A definição do verbete não consta em nenhum dicionário oficial da Língua Portuguesa. Mas a expressão, de tão popular, transformou-se em sinônimo do poder do mais influente político baiano: ACM.
O predomínio local do carlismo teve sua ascensão em 1990, quando ACM foi eleito governador da Bahia pela terceira vez e passou a ditar as regras na política estadual. Quatro anos antes, o atual ministro Waldir Pires (Defesa) havia derrotado o jurista Josaphat Marinho, apoiado por ACM.
A partir de 1990, candidatos que venceram eleições ao governo da Bahia tiveram o apoio de ACM - Paulo Souto (1994 e 2002) e César Borges (1998), ambos do ex-PFL atual DEM. Além disso, o grupo carlista também monopoliza as três vagas da Bahia para o Senado desde 1994.
Em 2001, a força do carlismo se espalhou por toda a Bahia. Das 417 prefeituras do Estado, 395 apoiavam o então governador César Borges, afilhado de ACM.
O carlismo sofreu sua maior derrota em 2006, quando Paulo Souto perdeu o governo para Jaques Wagner (PT). Na ocasião, ACM chegou a criticar àqueles que decretavam o fim do carlismo. ''Vocês verão o desastre que será o governo baiano e a volta triunfal do carlismo na Bahia. O carlismo é uma legenda que não se apaga, queiram ou não os cronistas políticos'', disse ACM.
A influência do carlismo também rompeu as fronteiras da Bahia e chegou ao Palácio do Planalto. Depois assumir o Ministério das Comunicações no governo do presidente José Sarney (1985-1990), ACM manteve sua influência na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002).
Reportagem publicada na Folha em 2001 revelou que ACM tinha 29 afilhados políticos em postos importantes do governo FHC.
Apesar de ser tradicional adversário do PT, ACM manteve a influência do carlismo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em maio de 2003, no início do primeiro mandato de Lula, ACM demonstrava seu prestígio ao indicar nomes para pelo menos 14 cargos relevantes em órgãos do governo federal.

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