A discussão sobre uma eventual convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor na CPI dos Bancos gerou ontem um bate-boca entre o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga (PSDB). ACM mandou dizer a Pimenta que ele mesmo assinará o requerimento de convocação de Malan se continuarem as pressões do Palácio do Planalto sobre o Congresso para evitar que o primeiro escalão da equipe econômica deponha na CPI. ‘‘Ele errou do ponto de vista político, porque na hora em que disse que Malan não vem, eu próprio vou assinar um requerimento de convocação’’, afirmou ACM. ‘‘O comparecimento do Malan, na minha ótica, não é assunto para o Pimenta da Veiga. Ele não tem nada que se intrometer nas atividades da CPI.’’
Veiga respondeu de pronto. ‘‘O senador Antonio Carlos que é aliado, tem que entender que a convocação do ministro Malan é um ato político negativo para o governo’’, cobrou. ‘‘Quem decide o que eu devo falar sou eu mesmo, a CPI deve ouvir as pessoas diretamente ligadas ao que estiver investigando.’’ Pimenta da Veiga tem dito que Malan não deve depor na CPI.
No final da tarde, ACM elevou o tom dos ataques e respondeu ao ministro novamente. ‘‘Eu confesso que ele pode falar o que quiser, mas não em relação ao Congresso’’, disse o senador. ‘‘Coordenador político do governo não manda aqui, ele não dá palpite em nada.’’
A insistência do senador pefelista em convocar Malan já começa a preocupar o governo, que contava com sua liderança para afastar o ministro das investigações de irregularidades no BC. ‘‘Quais motivos levam ACM a tomar uma posição que só prejudica o governo e ao mesmo tempo faz o jogo da oposição?’’, indagou um assessor do Planalto.

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