Agência Estado
Divergências sobre a reforma do Judiciário desencadearam ontem um pesado bate-boca entre os presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O senador reagiu irado a uma nota oficial distribuída pela assessoria de Temer, avisando-o de que a discussão em torno da reforma ‘‘não é matéria para curioso’’ e ele poderá dar suas opiniões quando a emenda ‘‘chegar à Casa que preside’’. Temer respondia às declarações de ACM segundo as quais o presidente da Câmara não deveria ‘‘intrometer-se na reforma do Judiciário, até porque é um advogado’’.
Ao reagir, o presidente do Senado elevou o tom da discussão e acusou Temer de estar ‘‘sabotando’’ a reforma. ‘‘O deputado também não queria a CPI do Judiciário no Senado porque não pretende que sejam descobertas imoralidades; aliás, preocupar-se com coisas morais nunca foi o forte do senhor Michel Temer’’, atacou o senador baiano.
‘‘Eu posso falar da reforma do Judiciário na Câmara do porque sou um político nacional, tenho autoridade por ser o político mais votado no meu Estado, coisa que ele não 钒, insistiu Antonio Carlos. ACM sustentou, no entanto, que o bate-boca entre os dois líderes não tem nada a ver com o governo.
‘‘Tem a ver com o presidente do Senado e o presidente da Câmara, com o temperamento despeitado de Temer, que não aceita o êxito de qualquer pessoa, até porque lhe falta estatura’’, disse. Indagado se iria procurar o presidente da Câmara para uma conversa, ele respondeu que não iria dar ‘‘essa confiança’’ ao deputado.
Em São Paulo, Temer considerou uma leviandade os comentários do senador e disse que o povo de São Paulo o conhece e sabe de sua reputação. ‘‘Em matéria de moral, eu posso dizer, tranquilamente, que dou de 10 a zero no Antonio Carlos’’, afirmou. Para o deputado, o momento é de debater o conteúdo das reformas.
‘‘Nós deveríamos estar discutindo coisas importantes, e não ficar à beira do rio lavando roupa’’, comentou o deputado Temer. O parlamentar afirmou também que ACM ‘‘tem a mania de tentar avacalhar as pessoas’’. E avisou: ‘‘Comigo ele não vai avacalhar não’’.
O bate-boca entre os dois políticos prosseguiu: ‘‘Não poderia avacalhá-lo, pois avacalhado ele já 钒, respondeu ACM. ‘‘Não me impressiona sua pose de mordomo de filme de terror; ele não ganha de dez a zero em questão de moral de ninguém, muito menos de mim, que sou um homem honrado’’, afirmou ele.
O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), tentou pôr panos quentes na troca de acusações. Lamentou o bate-boca entre os líderes de partidos da base de sustentação, afirmando esperar que a ‘‘querela’’ não se prolongue.
‘‘O governo deverá agir para lançar todas as pontes para um armistício’’, disse Virgílio. ‘‘Mas isso não vai atrapalhar o bom andamento das discussões nem a votação da reforma.’’
O líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), saiu em defesa de Temer. ‘‘O ACM não pode intrometer-se na Câmara’’, afirmou. ‘‘Não vamos aceitar intromissões indevidas.’’ Segundo ele, o presidente do Senado não pode ‘‘querer tutelar’’ a Câmara e a discussão da reforma do Judiciário será feita com o presidente da Câmara. ‘‘Vamos discutir com o Temer, para perder ou ganhar’’, reagiu o parlamentar a favor do colega.Pivô de crise é reforma do Judiciário, que leva presidentes do Senado e da Câmara a pesadas acusações mútuas
Arquivo FolhaTemer: ‘‘Em matéria de moral dou de 10 a zero nele’’Arquivo FolhaACM: ‘‘Ele não deve se intrometer até porque é advogado’’

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