Rosa Costa Agência Estado
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), voltou ontem a colocar em dúvida a reputação de Michel Temer (PMDB-SP), ao afirmar que o deputado ‘‘ficará péssimo’’ se for aberto um inquérito para investigar irregularidades no Porto de Santos. Ele disse que Temer não abre mão de influir no controle das Companhias Docas de Santos, apesar de a coerência atribuir essa prerrogativa ‘‘ao grande político de Santos, Mário Covas’’. ‘‘Um líder que poderia ter influência nas docas seria o governador Covas, que é de lá, mas vejam que ele não se interessa por isso’’, ironizou ACM. ‘‘Se o Ângelo Calmon de Sá é desonesto, o lugar dele não é comigo, é com o Temer’’, afirmou, referindo-se ao fato de o deputado ter sugerido que ele fosse cuidar do ex-proprietário do Banco Econômico, que faliu em condições suspeitas.
Coincidentemente, no momento em que menos se entendem os presidentes da Câmara e do Senado vão representar o Brasil em Portugal, no Parlamento dos Países Ibero-Americanos. Eles viajam hoje e retornam na semana que vem. ACM descartou a possibilidade de se reconciliarem nessa ocasião, alegando que ‘‘se não existe (conciliação) aqui na terra, como é que vai existir no ar’’.
Segundo ele, o episódio não prejudicará o presidente FHC, porque se restringiu aos critérios que tem adotado ao longo de sua vida política ‘‘de falar com absoluta lealdade sobre todos os assuntos’’. À tarde, ao responder às novas acusações do presidente da Câmara, o senador negou que tenha o domínio do setor elétrico do País, mas lançou suspeitas sobre as passagens de Temer na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e na Promotoria do Estado.
Para ACM, o interesse de Temer pelos cargos das docas de Santos será explicado no dia em que for feita uma investigação sobre o assunto.‘‘Procurem ver as razões por que uma pessoa se interessa por um cargo dessa ordem’’, sugeriu. ‘‘Procurem ver por que as pessoas se interessam pela Receita Federal, por cargos de diretor da Petrobrás, por cargos das docas de Santos e aí você vai encontrar tudo’’, disse o senador
Ao chegar ontem ao Senado, ACM fez questão de dizer que não pretende recuar para encerrar o atrito com Temer. ‘‘Ele fez uma nota pesada agredindo o presidente do Senado e o presidente do Senado reagiu a suas agressões’’, afirmou. ‘‘Principalmente porque ele quis se comparar a mim em moralidade e nisso ele toma de 10 a zero.’’
ACM também insinuou que Temer se interessava pela nomeação de administradores de cargos públicos, como no caso do Porto de Santos. Temer respondeu: ‘‘Não sou eu quem desde a ditadura militar domina (nomeações) o setor elétrico.’’ O presidente da Câmara disse ainda que, se houver novas agressões, responderá no mesmo tom.
Mais tarde, numa nota oficial, Michel Temer pediu desculpas ‘‘à Nação brasileira’’ pelo bate-boca público com ACM, mas disse que não poderia deixar de responder ‘‘à nova tentativa de ataque à sua honra’’.

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