Ao ser reeleito ontem para o cargo por mais dois anos, logo após as cerimônias de posse dos novos deputados e senadores, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), voltou a atacar os especuladores, cobrou da equipe econômica ações que protejam a economia e disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguirá do Congresso tudo o que quiser. ‘‘O presidente já sabe que nem tudo o que ele queira conseguirá do Legislativo. Por outro lado, ele não ignora que o Legislativo jamais lhe faltará quando estiver em jogo o interesse da Nação.’’
O senador afirmou que o presidente FHC ‘‘não é imune a críticas, até porque sem as críticas não poderá haver trabalho correto’’. Para ACM, a credibilidade obtida no primeiro mandato de FHC ‘‘não pode nem será perdida’’. ACM denunciou a ação especulativa de ‘‘agentes econômicos gananciosos, comandados por instituições financeiras’’, que, com suas operações de câmbio, provocaram ‘‘perdas e ganhos da ordem de R$ 7 bilhões’’.
ACM cobrou ação ‘‘eficaz e urgente’’ da equipe econômica para combater essas operações especulativas, ‘‘utilizando-se dos instrumentos de política monetária e principalmente do seu poder de fiscalização e regulação dos mercados financeiros’’. ‘‘Só assim poderemos salvar o País de uma crise econômica e política sem precedentes’’, disse.
Apesar das críticas e cobranças, o discurso de ACM, que durou 20 minutos, frustou a quem esperava a repetição da solenidade de reposse de FHC, quando o presidente fez um discurso politicamente frio, deixando que o senador roubasse a cena.
Ao empossar os 27 novos senadores (um terço do Senado, que foi renovado em outubro último), ACM aparentava nervosismo: confundiu o nome de Luiz Estêvão (PMDB-DF), chamando-o de Luiz Otávio, esqueceu de citar Alexandre Costa como um dos senadores mortos na legislatura passada e, ao ler o discurso, trocou letras e gaguejou. A primeira parte do discurso foi dedicada ao filho Luís Eduardo, morto em abril último, a quem chamou de sua ‘‘estrela-guia’’. ACM não obteve a unanimidade que queria na recondução ao cargo. Ele recebeu 70 votos favoráveis dos 80 votantes. Houve 7 abstenções e 3 votos contrários.
A votação foi secreta, mas a senadora Heloísa Helena (PT-AL) disse que votaria contra ‘‘para não dar troféu de unanimidade’’ a ACM. E o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) afirmou que se absteria de votar, apesar de o bloco da oposição (PT, PDT, PSB e PPS) ter decidido apoiar ACM em troca da 2ª vice-presidência do Senado, cargo que será ocupado por Ademir Andrade (PSB-PA).
A posse dos 27 senadores durou menos de dez minutos. Como mais antigo parlamentar, o senador José Sarney (PMDB-AP) leu o juramento de ‘‘respeitar a Constituição e as leis’’, repetido pelos colegas. A indicação dos demais cargos da Mesa se deu em seguida. Retornam ao Senado figuras conhecidas da política brasileira, como o ex-governador do Amazonas Gilberto Mestrinho (PMDB), o ex-prefeito do Rio Roberto Saturnino (PSB) e Amir Lando (PMDB-RO), ex-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o esquema de corrupção comandado pelo empresário Paulo César Farias, o PC.
Em seu discurso, ACM anunciou que as reformas política e tributária serão prioridade do Congresso neste ano. Também defendeu a reforma do Poder Judiciário. E cobrou da Câmara dos Deputados a aprovação de projetos que já passaram pelo Senado, como o novo Código Civil, a regulamentação de medidas provisórias e o efeito vinculante, mecanismo que obrigará as instâncias inferiores da Justiça a seguir decisões consolidadas do STF (Supremo Tribunal Federal).
O Senado e a Câmara retomam as atividades no próximo dia 22, ao final do período de convocação extraordinária que começa hoje. O prazo será utilizado na contagem do tempo regimental para votação na Câmara da CPMF. Hoje, os deputados escolherão os integrantes da Mesa nos próximos dois anos.
A composição da nova Mesa diretora do Senado é a seguinte: presidente, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA); primeiro vice-presidente, Geraldo Melo (PSDB-RN); segundo vice-presidente, Ademir Andrade (PSB-PA); primeiro secretário, Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB); segundo secretário, Carlos Patrocíno (PFL-TO); terceiro secretário, Nabor Júnior (PMDB-AC): quarto secretário, Cassildo Maldaner (PMDB-SC); suplentes, Lúdio Coelho (PSDB-MS), Jonas Pinheiro (PFL-MT), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Marluce Pinto (PMDB-RR).

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