ACM e oposição jogam a toalha na CPI
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terça-feira, 03 de abril de 2001
Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Tânia Monteiro 
Os parlamentares do grupo político do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e os adversários do governo no Congresso jogaram a toalha e não apostam mais na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção. As poucas chances de instalação da CPI foram reduzidas ontem, depois da fracassada tentativa da oposição de pressionar publicamente o senador Amir Lando (PMDB-RO) a assinar o pedido da CPI.
Esse cenário reduz brutalmente a possibilidade de a oposição avançar e agora está mais difícil obter as assinaturas porque o governo está articulado, lamentou o senador Paulo Hartung (PPS-ES). Avançar não vai ser fácil, admitiu ACM. O ex-presidente do Senado recebeu ontem, das mãos do líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA), uma lista com o nome dos 15 carlistas que ainda não assinaram o requerimento da Comissão. Prometeu que os apoios virão aos poucos, mas não convenceu. Estou chegando à conclusão de que ele (ACM) não quer CPI nenhuma, disse Pinheiro.
A dificuldade em obter o mínimo regimental de 27 assinaturas no Senado para a abertura da CPI ficou evidenciada à tarde com a cena constrangedora protagonizada entre o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), e o senador Amir Lando. Em busca da 26ª assinatura no requerimento, Dutra fez o cerco e cobrou de público a promessa do peemedebista. Só vou assinar se for o 27º, desconversou Lando. Dizer que é a 27ª assinatura é a mesma coisa que dizer que não vai assinar, reagiu Dutra, que já contabiliza três candidatos a heróis da CPI, embora nenhum deles aceite o papel de coadjuvante da 26ª assinatura.
Na Câmara, o requerimento para a criação da CPI continua com o apoio dos mesmos 144 deputados que já haviam assinado o pedido de inquérito há uma semana, segundo informações do líder petista. Nos bastidores, os oposicionistas reconhecem que dificilmente os deputados carlistas vão apoiar a CPI, para chegar mais perto das 171 assinaturas necessárias à abertura das investigações. Ele (ACM) não pediu para ninguém assinar a CPI, garantiu um deputado do PFL da Bahia.
Na avaliação dos carlistas, ACM não acionará sua bancada na Câmara por um simples motivo: não quer fracassar inutilmente, já que a CPI está empacada no Senado. Se não tiver chance da Comissão sair no Senado, o ACM não vai mexer na Câmara para não se queimar à toa com o governo, perdendo os cargos federais que controla na Bahia, explicou um segundo deputado pefelista.
Outro motivo para o desencanto da oposição em relação à CPI deve-se à manobra dos governistas de lançar um manifesto pedindo o apoio formal dos deputados da base aliada. A iniciativa do governo levou, pelo menos, sete deputados de partidos governistas a comunicar que vão retirar suas assinaturas do requerimento da CPI.
Os oposicionistas não pretendem, no entanto, desistir facilmente. Está programado para amanhã um grande ato público de apoio à CPI, em Brasília. A oposição vai engrossar sua manifestação com a presença de prefeitos que estão na capital para pressionar o governo a alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A idéia é também inaugurar painéis gigantes nas capitais, com os nomes dos parlamentares que se negaram a assinar o pedido para abertura da Comissão.


