ACM e Lula apóiam parte da
CPMF para combate à miséria
Vidal Cavalcante/Agência EstadoPARCERIALula (falando, ao lado de ACM): políticos de extremidades partidárias tentam saídas antipobreza




Vera Rosa, Márcia de Chiara e Carla Franco
Agência Estado - De São Paulo



O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), propôs ontem em São Paulo que o governo destine um percentual da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) a um fundo de combate à pobreza, idéia apoiada pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, durante debate em São Paulo no seminário ‘‘Caminhos do Desenvolvimento e Combate à Pobreza’’, promovido pelo Instituto de Cidadania, uma organização não-governamental ligada ao PT.
Além da questão da pobreza, ACM reclamou das restrições nos investimentos na área social, criticando a política econômica do governo. ‘‘Não é possível imaginar que os programas econômicos possam restringir a aplicação de recursos na área social no sentido de impor aos brasileiros das classes menos favorecidas condições de vida subumanas’’, sustentou. ‘‘Não basta o simples crescimento econômico; a distribuição de renda, através da reforma agrária, da política de crédito ao pequeno agricultor e empresário, é fundamental’’, afirmou.
Lula explicou que um novo tributo proposto anteriormente recairia sobre as grandes fortunas ou consistiria na alteração das alíquotas do IR: ‘‘Não temos de ter medo de criar novos impostos.’’ Lula disse que o custo desse novo imposto não irá recair sobre a classe média. ‘‘Não é justo que quem ganha hoje R$ 2 mil tenha de pagar 27,5 % de IR; é preciso se fazer uma escala.’’
No debate, ACM criticou a forma de inserção do País à globalização. ‘‘É preciso questionar qual é o tipo de globalização que de fato nós queremos’’, afirmou. ACM criticou também os acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual o Brasil vem renegociando.
O senador voltou a expor os pontos de seu projeto de criação de um fundo de combate à pobreza, que incluiria, entre outros pontos, a contribuição social de empresas com faturamento superior a R$ 1 milhão. Ele ressaltou os resultados positivos do Plano Real em relação à miserabilidade.

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