O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e o seu principal desafeto político, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PLF-BA), apareceram ontem à tarde no Senado e trocaram graves acusações a distância. ACM afirmou que Jader, que está sendo investigado por desvios no Banco do Estado do Pará (Banpará), na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e pela emissão fraudulenta de Títulos da Dívida Agrária (TDAs), não é mais caso para cassação do mandato, ''é caso de prisão''.

''Estou acompanhando contristado, porque estou vendo uma perda de tempo com a evidência. No caso de Jader Barbalho, a evidência é total. Em todos os lugares por onde passou, deixou sua mancha. E está para deixá-la aqui no Senado também'', disse o ex-senador. Segundo ACM, Jader é um caso para a polícia, não para o Senado. O ex-senador também acusou o Conselho de Ética de usar ''dois pesos e duas medidas'' para investigar e julgar o seu caso e o de Jader.

''No meu caso, quiseram aplicar a Justiça com rapidez. O furto passou a ser algo mais leve do que a mentira. No Senado, não se pode mentir, mas roubar e matar pode'', disse ACM, que foi a Brasília para ser entrevistado pelo jornalista Álvaro Pereira, que está escrevendo um livro sobre a política.

Jader, que também reapareceu ontem no Senado, rebateu as acusações de ACM afirmando que ele está ''perturbado''. ''O senador Antonio Carlos, no dia de sua despedida no Senado (em maio), me fez uma homenagem dizendo que tudo que tinha dito a meu respeito não tinha fundamento. Eu acho que o que ele está falando agora também não tem o menor fundamento. Deve ser alguma perturbação'', afirmou.

Jader disse também que pretende reassumir a presidência do Senado no próximo dia 20 de setembro, dois dias após o encerramento da licença de 60 dias. ''É claro. Encerrada a licença não há nenhum motivo para eu não retornar'', informou. Ele insinuou ainda que comparecerá aos dois depoimentos marcados para a próxima semana. Na terça, ele será ouvido pela CPI da Grilagem de Terras da Câmara e, na quarta, pela comissão especial do Conselho de Ética. ''Vou comparecer, se Deus quiser.''

O depoimento à comissão do Conselho de Ética deveria ocorrer hoje, mas Jader disse que não vai porque tem a prerrogativa de marcar data e local para ser ouvido. No caso da CPI da Grilagem, o senador justificou que antes quer ter acesso aos documentos e ao relatório da CPI antes de depor.

mockup