ACM e Jader preparam retorno
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de novembro de 2001
Biaggio Talento <br> Agência Estado 
Depois de deixarem o Senado este ano pela porta dos fundos, num rastro de escândalos, mentiras e trocas de acusações, os ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), Jader Barbalho (PMDB-PA) e José Roberto Arruda (PFL-DF) preparam sua volta à vida pública nas eleições de 2002. Sem mandato, mas imersos em articulações políticas, os três apostam na redenção pelas urnas. Foi pensando nisso que optaram por renunciar ao mandato, escapando da cassação e da consequente perda dos direitos políticos.
Desde a renúncia por causa da violação do painel de votação , ACM começou sua campanha eleitoral na Bahia. E não perdeu o hábito de esconder o jogo. ''Por mim, me candidataria a uma cadeira do Senado, mas a pressão dos correligionários e amigos para que dispute o governo do Estado está muito grande'', diz Antonio Carlos, deixando a dúvida no ar. Quando anunciará a decisão? ''Ainda é muito cedo, deixa passar o Carnaval'', responde. O objetivo é claro: esperar que todos os partidos oposicionistas definam os candidatos à sucessão estadual.
Jader Barbalho também não antecipa o cargo a que pretende concorrer em 2002. Não está descartada a hipótese de Jader concorrer a governador, com o apoio do vice-governador do Pará, Hildegardo Nunes (PTB), que disputaria uma vaga como senador. ''Minha decisão só será tomada no ano que vem. Até lá, estarei viajando pelo Pará e ouvindo os companheiros do PMDB'', esquiva-se Jader.
Pesam contra o ex-presidente do Senado ações e inquéritos pelo desvio de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará) e fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Dos três ex-senadores, o que aparenta ter sentido maior desgaste com o afastamento é José Roberto Arruda (PFL), ex-líder do governo e nome cotadíssimo, no início do ano, para concorrer ao governo do Distrito Federal. Ao admitir seu envolvimento na violação do painel do Senado após a votação que cassou, em junho de 2000, o mandato do empresário Luiz Estevão , Arruda virou a imagem da desilusão.
''Não sei se vale a pena voltar'', diz, evitando falar na possível candidatura a deputado federal. O ex-senador voltou a trabalhar na Companhia Energética de Brasília, empresa da qual já foi presidente e onde agora é assessor.
Indiretamente responsável pela renúncia de ACM e Arruda, Luiz Estevão perdeu o mandato e os direitos políticos por 14 anos, mas não a empáfia. Ele critica os ex-colegas por terem renunciado em vez de enfrentar o processo de cassação. E afirma que tentará recuperar seus direitos políticos, tão logo saia o resultado do processo em que é acusado de participação no desvio de R$ 196,7 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. (Colaboraram Demétrio Weber e Carlos Mendes)


