Apesar da expectativa de derrota na votação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar prevista para hoje, a partir das 10 horas, os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) conseguiram ontem uma vitória. O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), adversário político de ACM, anunciou que a Mesa da Casa tem o prazo de até 15 dias úteis para decidir se acata ou não a provável recomendação de abertura de processo de cassação dos dois senadores acusados de violar o painel de votações. Com isso, Arruda e ACM ganharam uma sobrevida para renunciar ou para convencer os seus pares de que não merecem a pena máxima.
Ontem foi um dia de muitos boatos e inúmeras articulações de bastidores. A tropa de choque de ACM se dividiu em várias frentes em busca de saídas que protelassem a instauração do processo. Apesar do esforço, foi praticamente impossível coibir especulações em torno da denúncia de ACM.
Arruda preferiu não aparecer no Congresso. Mas foi avisado pelo presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet (PMDB-MS) que não poderá votar na sessão de hoje. Tebet achou na Constituição a justificativa para declarar o impedimento do ex-tucano. Com isso, ele abrirá vaga para Antero Paes de Barros (PSDB- MT), um voto certo a favor da cassação.
De acordo com Jader, se o conselho aprovar o parecer de Saturnino, hoje mesmo ele convoca a Mesa do Senado para uma reunião a ser realizada amanhã, quando será designado um relator – que deverá ser o senador Carlos Wilson (PPS-PE) – que terá o prazo de até sete dias úteis para dizer se arquiva ou acata o parecer.
Concluído o relatório da Mesa, qualquer um dos seus outros seis integrantes pode pedir vistas ao parecer. O presidente do Senado avisou que nesta etapa não cabe apresentação de defesa por parte de ACM e Arruda. O processo inteiro na Mesa pode durar, no máximo, 15 dias úteis.
Uma vez concluído o relatório, Jader o colocará em votação aberta, imediatamente. Em caso de decisão favorável a abertura do processo de cassação, ele será enviado para uma nova etapa de apreciação no conselho de ética. Até a meia-noite deste dia ACM e Arruda podem renunciar. A partir daí, estará instaurado o processo de cassação.
Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) furaram ontem o bloqueio do esquema de segurança do Congresso e promoveram, próximo ao plenário do Senado, um rápido protesto para pedir a cassação dos mandatos de ACM e Arruda. Em meio a um clima tenso, os seguranças rasgaram as faixas dos alunos da Unb e tiraram os narizes de palhaço, usados por nove jovens que participaram da manifestação.

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