Agência Estado
De Salvador
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) está disposto a tocar o projeto do fundo para a erradicação da probreza até o fim, mesmo com a oposição do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e as ‘‘restrições’’ da primeira-dama Ruth Cardoso, que coordena o principal programa social do governo, o Comunidade Solidária. ACM disse ontem, em Salvador, esperar que, em ‘‘cinco, seis anos’’, os recursos do fundo transformem para melhor a área social do Brasil.
ACM criticou os opositores da iniciativa, entre os quais Malan. ‘‘Sempre destaquei seus méritos, seu caráter e qualidades, mas, evidentemente, ele vive alheio à pobreza do Brasil, senão o enfoque seria diferente’’, disse ACM, sem o temor de que a posição do ministro da Fazenda possa prejudicar a tramitação do projeto. ‘‘O Congresso é soberano, e o que coloca na Constituição tem de ser cumprido.’’
Sobre Dona Ruth, com quem conversou rapidamente durante o encontro mantido essa semana com o presidente Fernando Henrique Cardoso, ACM admite que ela deve ter ‘‘algumas restrições’’ ao projeto. ‘‘Vamos procurar harmonizar; não sendo possível, faremos, assim mesmo’’, assegurou, destacando o ‘‘bom’’ trabalho realizado pelo Comunidade Solidária.
Ao presidente da Confederação Nacional da Industria (CNI), deputado Carlos Eduardo Ferreira Moreira (PFL-SP), outro opositor do projeto, ACM reservou o maior ataque. ‘‘Até gosto dele, mas ele nunca viu um pobre na rua, pois anda cheio de seguranças e só nos palácios paulistas.’’ ACM recomendou a Ferreira ‘‘olhar para os 5 milhões de pobres de São Paulo’’.
Ainda sobre o projeto, o senador informou que, na próxima semana, serão escolhidos o presidente e o relator da comissão pluripartidária formada para aprimorar a matéria e apresentar uma proposta de emenda constitucional (PEC) em 90 dias.

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