O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), descartou ontem a possibilidade de uma intervenção federal em Minas Gerais e reagiu com ironia às declarações do governador Itamar Franco (PMDB) para quem, esgotadas todas as instâncias jurídicas na briga com a União, restaria a Minas o ‘‘direito de resistência’’.
‘‘Não sei se o governador Itamar está querendo ser um mártir. Ninguém deseja fazê-lo de mártir. Todos esperam que ele não precise esgotar todo o seu vocabulário com essa dramaticidade’’, afirmou ACM. ‘‘Estamos cansados dessa coisa estranha que às vezes chega a ser infantilidade’’.
Um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) disse ontem que atos de rebeldia de um governador poderiam justificar a eventual decretação de intervenção federal no Estado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, se Itamar passasse das palavras para os atos. O ministro afirmou que a Constituição autoriza a decretação de intervenção federal em casos excepcionais, como em razão de grave comprometimento da ordem pública (Artigo 34). Nessa hipótese, o presidente editaria um decreto, e o Congresso deveria apreciá-lo no prazo de 24 horas.
O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), disse ontem que o partido deve apoiar a reação do governador Itamar Franco diante das ‘‘retaliações’’ de FHC ao governo de Minas. ‘‘O Fernando Henrique Cardoso quer criar uma situação de ingovernabilidade para dar um golpe de Estado. Por isso, Itamar Franco reage assim’’, afirmou José Dirceu.
Para ele, o presidente ‘‘cometeu um erro’’ ao comparar governadores a Silvério dos Reis (traidor da Inconfidência Mineira), em discurso na última segunda-feira no Espírito Santo. ‘‘Quem é traidor pode sofrer intervenção. Por isso o governador reagiu dessa forma’’, disse.
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, também defendeu o governador de Minas Gerais. ‘‘Acredito que o Itamar Franco tem reagido às atitudes da equipe econômica. Nunca vi tanta grosseria e tanta falta de vontade de abrir o debate’’, disse Lula.

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