Evaldo Magalhães
Agência Estado
De Belo Horizonte
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), anunciou ontem, em Belo Horizonte, que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem preparado um programa de ‘‘medidas em várias áreas a ser implantado a partir de setembro’’, o que o ajudaria a ‘‘resgatar a aprovação da população’’. ACM garantiu que o partido não irá parar de dar apoio ao governo federal apenas em razão da queda de popularidade de FHC, ocorrida nos últimos meses.
‘‘O PFL não é um partido de ficar em cima do muro e sempre toma suas posições, custe o que custar’’, disse o senador, em discurso a correligionários na sede do PFL, onde participou de uma solenidade de filiações de parlamentares. ‘‘Ninguém pense que vamos abandonar o governo por uma impopularidade passageira que ele astravessa; não, nós vamos é ajudá-lo a crescer, a realizar e a ter o aplauso dos brasileiros’’, acrescentou.
ACM acrescentou, porém, que o apoio que o PFL pretende continuar dando ao Palácio do Planalto será crítico. ‘‘Ele não significa que ficaremos todos paralisados e aceitaremos, se for o caso, erros que ocorram no governo, que nos pegue como responsáveis’’, ressaltou.
O presidente do Senado voltou a cobrar maior ‘‘sensibilidade social’’ por parte da equipe econômica de Fernando Henrique, mas garantiu que há um clima de paz entre ele e o ministro da Fazenda, Pedro Malan. ‘‘Acho que o ministro Malan é um homem sério e competente, e o que eu disse foi que ele precisa flexibilizar mais, mas ele é tão competente que sabe disso’’, afirmou.
ACM voltou a defender a adoção de medidas para acabar com a ‘‘miserabilidade no País’’ e a realização de um ‘‘remanejamento de impostos já existentes para combater a pobreza’’. ‘‘O imposto que poderia surgir, e eu fui mal-interpretado, quando expus o assunto, é em relação a supérfluos’’, disse o senador. Ele citou o exemplo de alguém que vai a um restaurante fino e paga caro para comer e beber. ‘‘Por que o pobre não pode participar desta conta de 800 ou mil reais?’’, perguntou.
Embora tenha reiterado a disposição do partido de ter candidato próprio nas próximas eleições presidenciais - idéia que seria fortalecida por um eventual bom desempenho da legenda nas eleições municipais, em 2000 - ACM disse que não vai concorrer ao cargo. ‘‘Eu gostaria de ser presidente, mas não de ser candidato, de modos que isso não vai acontecer.’’

mockup