ACM diz que agiu para preservar Senado
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Vera Magalhães e Andréa Michael Agência Folha De Brasília 
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) depôs ontem na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, reconheceu que mentiu e não tomou providências em relação à quebra do sigilo dos votos de senadores na sessão que cassou o mandato de Luiz Estevão, em junho do ano passado. ACM, no entanto, disse que agiu assim para preservar a imagem do Senado. As mentiras posteriores de que não tivera acesso à lista seriam consequência da primeira.
Em seu depoimento, ACM admitiu que leu a lista e a destruiu no mesmo dia. Afirmou ainda que não denunciou a fraude para evitar o risco de anular a cassação. Por razões de Estado, de defesa da instituição, disse, em determinado momento. Hoje, com toda franqueza, não sei se agi certo ou não. Fui omisso? Se houve omissão, devo à sublime defesa do Senado Federal.
Diante de um plenário lotado, ACM começou sua defesa com a estratégia de responsabilizar exclusivamente o senador José Roberto Arruda e a ex-diretora do Prodasen Regina Célia Borges pela violação do painel de votações.
O senador baiano descreveu sua participação no episódio como acessória, e disse que só soube da violação quando Arruda entrou no gabinete da presidência do Senado com o envelope pardo nas mãos. A seguir, descreveu o seguinte diálogo entre ele e Arruda: Olha aqui uma surpresa. Está sentado?, teria dito Arruda. Claro. Não está vendo?, diz ter respondido. Em seguida, ele teria lido a lista e Arruda lhe teria pedido para telefonar para Regina Borges e acalmá-la, pois ela estaria nervosa com a fraude que acabara de realizar.
Pela primeira vez, ACM admitiu que falou com Regina Borges nesse dia. Disse que o telefonema foi feito por sua secretária, do gabinete da presidência do Senado, e durou 34 segundos. Disse a ela: A senhora tem serviços prestados ao Senado. Não fique nervosa, porque não deve ter culpa., relatou ACM. Depois de falar com a servidora e da saída de Arruda, o pefelista disse ter tomado a decisão solitária de destruir a lista com os votos. Segundo ele, a partir daquele momento passou a desconhecer a violação do painel.
Depois da exposição inicial, sempre se amparando em depoimentos anteriores de Arruda e Regina, ACM foi inquirido pelos senadores. A maioria das perguntas se fixou na omissão de ACM diante da fraude, no fato de ele ter mentido em plenário, dizendo que o painel era inviolável ou que não conhecia a lista, e de ter usado o resultado da votação em conversas posteriores.
O tom das perguntas foi dado logo de início pela senadora Heloísa Helena (PT-AL), que fez um discurso emocionado e leu as notas taquigráficas da sessão de 10 de agosto de 2000, em que ACM, respondendo a ela, dizia: É impossível a qualquer pessoa saber quem votou desta ou daquela maneira, levando em conta a votação secreta pelo painel eletrônico.
ACM ficou irritado com questionamentos feitos pelo senador tucano Antero Paes de Barros, que lhe perguntou se não prevaricou no episódio e procurou enquadrá-lo no artigo 320 do Código Penal, que trata da condescendência criminosa de um superior para com um subordinado que comete um delito. Não prevariquei, jamais prevariquei na minha vida e não vou deixar que Vossa Excelência diga que sou prevaricador, reagiu ACM, elevando o tom de voz.
ACM negou que só tenha admitido ter recebido a lista depois que Arruda confessou a participação no episódio. Disse que a decisão foi tomada depois que o laudo da Unicamp comprovou a fraude.


