ACM descarta convocação do Congresso
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Carla Franco Agência Estado 
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) descartou ontem a possibilidade do Congresso se reunir antes das eleições para debater a crise e votar as reformas, atendendo a um pedido da oposição através do deputado Paulo Paim (PT-RS). Não há nenhuma necessidade, até porque seria quase impossível termos quórum e seria mais um motivo para desmoralizar o Congresso e eu não permito que isso aconteça, afirmou.
Nós não teríamos o êxito necessário em virtude das eleições de 4 de outubro, insistiu o presidente do Congresso. ACM garantiu que as reformas serão votadas depois das eleições e classificou de demagógica a atitude da oposição de querer antecipar as votações. Querem fazer palco político numa hora de seriedade, em que o País tem que encontrar o seu caminho, afirmou.
Ele admitiu que a alta dos juros pode causar mais desemprego a curto prazo. O desemprego pode aumentar hoje ou daqui a um mês ou dois, mas depois cairá, porque o País tem credibilidade e o capital externo voltará, e teremos uma industrialização mais forte, além de um comércio mais efetivo, sustentou. Magalhães atribuiu à atual vulnerabilidade econômica do País ao atraso na votação das reformas. Nós não fizemos a tempo as reformas preconizadas pelo deputado Luís Eduardo Magalhães e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, admitiu.
Nós fizemos meia-sola e algumas reformas nem sequer foram votadas, como a da Previdência, disse o senador, que responsabilizou a oposição pelo atraso na votação das reformas. A oposição, na sua intransigência, impediu a votação, mas seja como for nós vamos votar em outubro, garantiu ACM. Ele reconheceu que parte da bancada governista também dificultou as votações. Evidentemente, a oposição é a grande culpada, mas também uma parte da bancada governista não tem cumprido seus deveres, observou.
Inauguração ACM participou ontem de manhã da inauguração do Viaduto Deputado Luiz Eduardo Magalhães, homenagem da Prefeitura de São Paulo ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, morto em abril. O senador disse que o candidato do PPB ao governo do Estado, Paulo Maluf, é a melhor solução para São Paulo neste momento de crise. Acho que ele é mais preparado, opinou o presidente do Congresso.
Em seu discurso na solenidade de inauguração do viaduto, o senador pediu a união do País neste momento de crise. Chegou a hora de todos deixarmos os interesses políticos menores para pensar mais no Brasil, que necessita da união de seus filhos, e necessita votar as reformas logo depois das eleições, ressaltou. ACM evocou a memória de seu filho, Luiz Eduardo Magalhães, morto em abril. O exemplo de Luiz Eduardo vai nos unir mais do que nunca, hoje, para darmos ao Brasil as medidas que ele precisa para sair da crise com mais rapidez, afirmou.
Depois da cerimônia, ACM foi homenageado em um almoço promovido no Museu de Arte de São Paulo (MASP).
Em Brasília, o comitê pró-reeleição confirmou o cancelamento da viagem de FHC a Cascavel (PR), onde ele iria se encontrar com dirigentes de cooperativas, e da viagem a Indaiatuba (SP), onde ele participaria da inauguração da fábrica da Toyota. Mas FHC irá a Manaus, no dia 18, para um comício. O presidente passou o dia de ontem em São Paulo, em encontro com empresários.


