ACM defende permanência de Malan
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sexta-feira, 21 de maio de 1999
Agência Estado 
O presidente do Senado, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), criticou ontem o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Horácio Lafer Piva, por ter exigido, em entrevista divulgada ontem, mudanças na política econômica e no Ministério da Fazenda, e defendeu a permanência no governo do ministro da Fazenda Pedro Malan, que também recebeu farpas de Piva. A Fiesp se acostumou a dar ordens ao Brasil, afirmou. O presidente da Fiesp, com a arrogância que lhe é própria, disse que Malan tem que mudar. Ele é quem diz, não é o presidente (da República), disse Magalhães.
O senador baiano também considerou fútil a discussão entre adeptos da estabilidade e do desenvolvimento da economia brasileira. As declarações de ACM foram feitas durante o Fórum da Gestão Pública Eficiente, promovido na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
Magalhães igualmente fez a defesa política da permanência de Pedro Malan no comando do Ministério da Fazenda. O senador recordou que interesses políticos levaram o Banco Central a ter um presidente (Francisco Lopes, cujo nome não citou) contra o ministro da Fazenda. Dá no que deu, um prejuízo terrível, por causa de brincadeiras de quem queria mudar Malan na hora errada.
O presidente do Senado afirmou ainda que o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros é um dos envolvidos na guerra surda (entre desenvolvimentistas e adeptos da estabilidade econômica) que seria a causa de boatos sobre o suposto pedido de demissão do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Acho que isso não é verdade, afirmou ACM, sobre o boato. O presidente Fernando Henrique Cardoso reiterou total confiança ao ministro Malan. ACM disse que a guerra surda contra Malan não serve aos interesses do País, e afirmou que interesses secundários devem ser recolhidos.
O líder pefelista disse também que vai propor a criação de uma comissão permanente para receber denúncias contra o Poder Judicíário e encaminhá-las aos órgãos competentes. Segundo ele, a CPI do Judiciário já recebeu tantas denúncias contra o poder que não será capaz de investigar todas dentro do seu prazo legal de funcionamento. Quando falei que devíamos acabar com o Superior Tribunal Militar e o Tribunal Superior do Trabalho, todas as críticas vieram contra mim, afirmou. Hoje, estão vendo que não prejudicam ninguém.
O ministro Pedro Malan, ontem durante sua palestra no Seminário sobre Reformas Econômicas em São Paulo, revidou as críticas das quais vem sendo alvo, e deu um recado às autoridades e empresários que criticam a falta de um programa de desenvolvimento do Governo federal.
Malan disse que o debate entre desenvolvimentistas e monetaristas é um falso dilema e que não existe incompatibilidade entre estabilidade e crescimento. Não foi assim no resto do mundo e não será assim no Brasil. É muito fácil gerar uma bolhazinha de crescimento no curto prazo, mas não é o que queremos, afirmou.
O ministro acrescentou que o desenvolvimento econômico e social não vem de uma canetada presidencial, mas de um trabalho sério que tem que ser feito, referindo-se ao ajuste fiscal. Não há mágica, pirueta nem atos de vontade ou canetada presidencial que crie crescimento econômico, afirmou Malan.


