ACM defende investigação do escândalo Eduardo Jorge
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segunda-feira, 10 de julho de 2000
Agência Estado De Brasília 
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), prepara-se para um novo confronto com o Palácio do Planalto. Assim que terminar o recesso parlamentar de julho, ACM deverá defender novas investigações para apurar o envolvimento do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas no escândalo da obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo.
O deputado José Genoino (PT-SP) espera apenas a reabertura dos trabalhos legislativos, em agosto, para pedir a ACM que se dirija oficialmente ao Ministério Público e faça um apelo em favor do prosseguimento da investigação. Foi uma lacuna da CPI do Judiciário não ter convocado o Eduardo Jorge para depor, mas o presidente do Congresso pode apelar para que o Ministério Público repare isso, disse o petista. O embate deverá provocar mais uma crise na base governista no Congresso e outra dentro do PFL.
Enquanto ACM se une novamente ao PT, agora em defesa da investigação do envolvimento de Eduardo Jorge com o juiz Nicolau dos Santos Neto, que está foragido acusado de ser mentor do desvio de recursos da obra do Fórum, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), reduz o episódio a um café requentado da CPI do Judiciário. O comando do PMDB, por sua vez, diz que o partido não tem nada com isso.
O Planalto conta com o calendário eleitoral, que deve manter o Congresso esvaziado por causa das eleições municipais de outubro, dificultando a criação de qualquer comissão para tratar do assunto. Ao mesmo tempo, setores do PFL amenizam o episódio com dois argumentos.
Esses pefelistas consideram que os dados apresentados até agora não trouxeram informações novas ou provas concretas que possam comprometer o Planalto e, para sorte do governo, o envolvido neste caso é um ex colaborador palaciano. Mesmo apostando na tese de que um ex não desperta uma mobilização, um pefelista de expressão nacional reconhece o perigo da investida de ACM, por conta da disposição permanente do senador de manter-se em evidência e firmar-se como um líder nacional e presidenciável do partido.
O PT, por sua vez, não aceita o argumento do ex. Genoino, por exemplo, argumenta que, embora Eduardo Jorge esteja fora do governo, o fato é que as ligações do juiz Nicolau chegaram ao Planalto.


