ACM defende cruzada anticorrupção
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Agência Estada 
BRASÍLIA - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu ontem uma cruzada contra a corrupção e a impunidade no governo, Judiciário e Congresso. Ele citou a baderna promovida por integrantes do Movimento Grito da Terra, que ocuparam o gabinete do ministro do Planejamento, e a denúncia de venda de votos por deputados como episódios que demandam uma nova legislação, com rito sumário na investigação e na punição aos responsáveis.
Ao abrir o Fórum Nacional de Secretários de Agricultura, no Senado, ACM afirmou que a sociedade não aceita mais que os homens públicos honestos dos três Poderes da República fiquem de braços cruzados esperando o fim de intermináveis inquéritos. E quando vem a providência, quando vem, porque não costuma vir, vem tardiamente e não se dá a devida satisfação à sociedade. Para o senador, a impunidade é a mão da corrupção.
Antônio Carlos Magalhães chamou o Judiciário brasileiro de corporativo, citando casos da Bahia e do Maranhão, em que os juízes transformaram devedores em credores. O presidente do Senado disse ter transmitido sua preocupação ao presidente Fernando Henrique Cardoso, por telefone, na noite de quarta-feira (14).
O senador insistiu que atualmente no Brasil se faz sindicâncias para apurar o que a evidência está apontando, em vez de adotar providências para impedir o fato e punir seus responsáveis. Os filósofos dizem que a evidência não se prova, porque o que é evidente não precisa ser provado. Segundo ele, isso ocorre por causa da legislação penal, feita para não punir. É feita por advogados para não funcionar sobretudo no que diz respeito aos pobres, que não têm direito à Justiça, afirmou. Este é um País injusto e tudo passa por isso.
O presidente do Senado argumentou que se os dirigentes responderem rapidamente ao povo as instituições crescerão, se fortalecerão e o Legislativo se tornará forte. Essa mudança, avalia, será importante para garantir a fiscalização de fatos importantes, porque quando o poder que fiscaliza não é forte, ele não tem autoridade para fiscalizar.
O senador Antônio Carlos Magalhães não considera necessário instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de compra de votos pró-reeleição. Não é a reeleição que está em jogo, mas o procedimento de uns poucos deputados que não honraram seu mandato, e os votos úteis evidentemente não podem ser manchados pelos votos inúteis, que são pouquíssimos, afirmou, referindo-se ao fato de apenas cinco dos 513 deputados serem acusados de vender o voto.


