ACM culpa governo pelo atraso nas votações
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), responsabilizou o governo pela morosidade na votação das reformas constitucionais pelo Congresso, particularmente da reforma tributária. É mais culpa do governo do que do Congresso, disse ele. Eles se acomodam no colchão do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal), acrescentou. Magalhães fez estas declarações ao comentar a cobrança feita momentos antes pelo presidente Fernando Henrique Cardoso quanto à votação das reformas, na cerimônia de comemoração dos três anos do Plano Real, realizada na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Estabilidade O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, cotado para disputar com Luiz Inácio Lula da Silva a indicação do PT à Presidência em 98, sugeriu ontem que o partido defenda a estabilidade da moeda na campanha eleitoral do próximo ano. Segundo Genro, seria um erro o PT atacar a queda da inflação. Mas reforçou a necessidade de mostrar que um governo não pode deixar de lado pontos fundamentais para o equilíbrio da economia, como a reforma agrária. Devemos mostrar que a reforma agrária não é apenas uma questão social, como pensa o presidente Fernando Henrique, mas um problema econômico, disse Genro, antes de um participar, anteontem à noite, de debate promovido pelo PT no Rio. O FH não está fazendo reforma agrária, ele está fazendo assentamentos para desviar situações explosivas.
Tarso Genro reconheceu que parte da população não se sensibiliza com o discurso do PT, pois está satisfeita com as consequências da queda da inflação. Acredita, porém, que as pessoas já estão sentindo que a situação econômica no Brasil não pode ficar restrita à estabilidade de uma moeda e demonstram insatisfação com o crescimento do desemprego.
Genro disse apoiar a candidatura de Lula, pois ele continua sendo o nome mais forte no partido para a campanha do próximo ano. Mas não descarta a possibilidade de o partido decidir pelo seu nome, caso Lula desista de disputar o cargo em 1998. Segundo Tarso Genro, o lançamento do nome do Lula para o ano que vem depende apenas de uma política de alianças. Precisamos definir o nosso programa, no encontro nacional, em agosto (que será no Rio) para aglutinar forças aliadas, como PDT, PSB e até o PC do B.


