O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), responsabilizou o governo pela morosidade na votação das reformas constitucionais pelo Congresso, particularmente da reforma tributária. ‘‘É mais culpa do governo do que do Congresso’’, disse ele. ‘‘Eles se acomodam no colchão do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal)’’, acrescentou. Magalhães fez estas declarações ao comentar a cobrança feita momentos antes pelo presidente Fernando Henrique Cardoso quanto à votação das reformas, na cerimônia de comemoração dos três anos do Plano Real, realizada na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Estabilidade O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, cotado para disputar com Luiz Inácio Lula da Silva a indicação do PT à Presidência em 98, sugeriu ontem que o partido defenda a estabilidade da moeda na campanha eleitoral do próximo ano. Segundo Genro, seria um erro o PT atacar a queda da inflação. Mas reforçou a necessidade de mostrar que um governo não pode deixar de lado pontos fundamentais para o equilíbrio da economia, como a reforma agrária. ‘‘Devemos mostrar que a reforma agrária não é apenas uma questão social, como pensa o presidente Fernando Henrique, mas um problema econômico’’, disse Genro, antes de um participar, anteontem à noite, de debate promovido pelo PT no Rio. ‘‘O FH não está fazendo reforma agrária, ele está fazendo assentamentos para desviar situações explosivas.’’
Tarso Genro reconheceu que parte da população não se ‘‘sensibiliza’’ com o discurso do PT, pois está satisfeita com as consequências da queda da inflação. Acredita, porém, que as pessoas já estão sentindo que a situação econômica no Brasil não pode ficar restrita à estabilidade de uma moeda e demonstram insatisfação com o crescimento do desemprego.
Genro disse apoiar a candidatura de Lula, pois ele continua sendo o nome mais forte no partido para a campanha do próximo ano. Mas não descarta a possibilidade de o partido decidir pelo seu nome, caso Lula desista de disputar o cargo em 1998. Segundo Tarso Genro, o lançamento do nome do Lula para o ano que vem depende apenas de uma política de alianças. ‘‘Precisamos definir o nosso programa, no encontro nacional, em agosto (que será no Rio) para aglutinar forças aliadas, como PDT, PSB e até o PC do B.’’

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