ACM critica deputados malandros
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sábado, 17 de maio de 1997
Agência Estado De Salvador 
Arquivo FolhaDesabafoMagalhães: aplausos ao cobrar maior decisão e firmeza de FHC e alertar para o risco de chegarmos ao caosEm duas solenidades nas quais foi homenageado, anteontem à noite em Salvador, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), acionou sua metralhadora giratória: classificou os deputados envolvidos na compra de votos como moleques e malandros, disse que as máculas do Executivo e Judiciário são escondidas debaixo do tapete e afirmou que a corrupção existente no Brasil é fruto da impunidade.
Com ironia, ACM não poupou nem mesmo os aliados. Perguntado se achava que o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, estaria envolvido no escândalo da compra de votos declarou: Nesta ele não tem culpa. Nesta, frisou.
O presidente Fernando Henrique Cardoso também recebeu seu quinhão de ataques do senador. Ele é bom inteligente e capaz, mas temos de exigir mais presteza em suas decisões, disse.
Magalhães foi homenageado primeiro na sede do Ministério Público Estadual. Recebeu a medalha do mérito do MP da Bahia e aproveitou para pedir a cassação dos deputados corruptos que, segundo o senador, prejudicam a imagem de todo o Congresso. Somos 513 deputados e 81 senadores, mas basta que um malandro apareça para que a imagem da instituição e de quase 600 parlamentares fique maculada, disse, reclamando: O que fazemos de bom, infelizmente, não aparece porque pagamos os pecados de moleques que nunca deveriam ter sido congressistas e que temos de expurgar o mais rápido possível.
Depois, o senador seguiu para a Associação Comercial da Bahia onde participou de um jantar em sua homenagem promovido por empresários e amigos. Estiveram presentes o escritor Jorge Amado, sua mulher, Zélia Gattai, o governador Paulo Souto (PFL), o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, o ex-presidente da Câmara Luiz Eduardo Magalhães e vários parlamentares.
No discurso de agradecimento, ACM foi aplaudido entusiasticamente quando cobrou mais decisão e firmeza ao presidente Fernando Henrique Cardoso para enfrentar os adversários, concluir as reformas e modernizar o País. Sem autoridade, chegaremos ao caos, disse, referindo-se aos últimos incidentes como a invasão do Ministério do Planejamento por integrantes do movimento Grito da Terra.
Ele também criticou o governo por paralisar o processo de modernização dos portos por pressão dos empresários do Sul. Magalhães voltou a conclamar os homens honestos dos três Poderes para uma cruzada cívica contra a corrupção e impunidade no Brasil.


