ACM: 'CPI já provoca mudanças'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de março de 1999
Agência Folha 
Um dia após ter conseguido aprovar a CPI para investigar a corrupção no Judiciário, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que a Justiça já está mudando, graças à fiscalização que o Congresso está impondo. ACM participou na manhã de ontem da solenidade de posse da nova diretoria da Fundação Luís Eduardo Magalhães. A cerimônia foi realizada no auditório do prédio da fundação, em Salvador. Já temos 54 assinaturas, mas a lista vai aumentar. O povo brasileiro quer a CPI, ressaltou o senador baiano.
O senador disse que não está preocupado com o eventual pedido de inconstitucionalidade da CPI pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Acho que não há nada de inconstitucional. Entretanto, eu quero cumprir o meu dever. Se a OAB não quiser, é outro problema. Mas eu quero que todos nós, inclusive a OAB, façamos a reforma do Judiciário, impedindo a corrupção e tornando-o mais ágil.
Para Antonio Carlos Magalhães, o governo não quer assumir o controle do Poder Judiciário. Isso é coisa de boboca, que não deve nem ser levada em conta. Quem diz isso é por ignorância e, aos ignorantes, nós temos que dar o perdão da própria ignorância.
ACM voltou a dizer que é favorável ao controle externo do Judiciário. Acredito que sim (controle externo do Judiciário). O que nós precisamos encontrar é o modelo ideal. Segundo o senador, o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, fez referências ao modelo argentino, que é muito bom, formado por uma comissão mista entre juízes, parlamentares e a sociedade.
ACM disse ser favorável à quebra do seu sigilo bancário. Há três semanas, o juiz da 2ª Vara Criminal Federal da Bahia, Cândido Pinto Filho, rejeitou o pedido da Polícia Federal para quebrar o sigilo fiscal do senador e de outros 19 acionistas de uma suposta empresa montada em paraíso fiscal do Caribe. Eu sou muito favorável à quebra do sigilo bancário de todos. A minha, a sua, a de seu chefe, a de todo mundo. Agora, só os canalhas acreditam que eu possa estar envolvido em alguma coisa.


