BRASÍLIA - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que em ‘‘oito ou nove dias’’ estarão definidas as mudanças na coordenação política do governo, que podem se estender a uma reforma ministerial. Antônio Carlos e o Palácio do Planalto confirmaram ontem que o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) vai acertar na próxima semana com Fernando Henrique sua designação para um cargo de coordenação política, que deverá ser a liderança do governo na Câmara. O presidente do Senado, que esteve com o presidente pela manhã no Palácio da Alvorada, admitiu ainda a possibilidade de o atual líder Benito Gama (PFL-BA) ocupar um ministério. O PSDB também reivindica um ministério.
As modificações na equipe ministerial, de acordo com o senador, serviriam para acomodar aliados excluídos do trabalho de coordenação parlamentar do Palácio do Planalto. ‘‘Enquanto o ministro for demissível ad nuto não se pode descartar uma reforma’’, defendeu. Ele deixou em suspense o alcance da ‘‘mexida’’ no ministério, limitando-se a insinuar que o PFL terá um novo ministro. E não será o substituto de Raimundo Brito (PFL), das Minas Energia. ‘‘Por que logo ele, que é competente, iria sair?’’, perguntou Antônio Carlos, principal responsável pela indicação de Brito. ‘‘Ministério é uma coisa que sempre se muda, se renova.’’
O presidente do Senado deu a entender que seu filho, Luís Eduardo, que está na Europa e retorna no domingo, aceitou ser o articulador político do governo. ‘‘Se ele tivesse recusado, teria me dito’’, explicou. Ontem, pela primeira vez, o Planalto confirmou oficialmente o convite ao deputado pefelista. ‘‘O presidente Fernando Henrique Cardoso gostaria de continuar contando com a colaboração do deputado Luís Eduardo Magalhães’’, afirmou o porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral. ‘‘O deputado deu contribuição valiosa ao País como presidente da Câmara e mostrou ser um grande articulador político’’, disse Amaral. Ele acrescentou que o presidente já teve ‘‘uma primeira conversa’’ com Luís Eduardo sobre o assunto.
Com o ministro das Comunicações, Sérgio Motta (PSDB), afastado da tarefa de negociar com o Congresso, o PSDB aceita a indicação de Luís Eduardo Magalhães para a liderança do governo na Câmara, desde que seja reservado ao partido um ‘‘espaço central’’ no comando político. A mensagem foi transmitida no final de semana ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelo líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). Embora não diga isso claramente, Neves defende a substituição do ministro dos Assuntos Políticos, Luis Carlos Santos, do PMDB, por um deputado de sua bancada.

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