ACM condena acordo com FMI
Agência Estado
De Brasília
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que o governo brasileiro deveria rejeitar as condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e rever pontos dos últimos acordos de renegociação da dívida externa do País. O senador disse que não se surpreenderia em saber que a iniciativa já está em andamento, porque acredita que o presidente FHC também pensa como ele. Chegou a hora de não aceitar mais isso (os pontos impostos pelo FMI) e renegociar, defendeu.
ACM apontou como um dos pontos que devem ser revistos o que obriga o País a se endividar externamente e a dar aos recursos um rótulo destinado à área social como ocorre com os US$ 2,2 bilhões que aguardam a deliberação do Senado mas mantê-lo como um reforço da base monetária nacional. O que é grave nesse caso é que, sem empregar os recursos, o País paga juros, afirmou. Você toma o dinheiro para não fazer nada e ainda paga juros. Para o senador, essa situação constitui uma aberração que deve ser revista.
Outro ponto que mereceria ser examinado, segundo ACM, é o acerto com relação ao superávit previsto no ajuste fiscal, a exemplo do que foi feito em outros contratos. Não seria a primeira vez que um acordo com o FMI seria mudado, justificou.
Antonio Carlos Magalhães defendeu sua posição ao comentar o encontro que manteve na última sexta-feira, em Nova York, com o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (ONU), Nittin Desai. ACM disse que o representante da ONU considerou justa sua colocação, embora esteja ciente que cabe exclusivamente ao governo brasileiro fazer uma nova proposta ao FMI. A justiça do pleito é que é importante, frisou. Na avaliação do senador, seria oportuno o presidente Fernando Henrique conversar com o presidente norte-americano, Bill Clinton, sobre o assunto.
Ao sintetizar sua posição, ele explicou que a sua idéia é acabar com a interferência do FMI em decisões internas. Nós sabemos mais do que o fundo como empregar nossos recursos, justificou. ACM disse que foi à sede da ONU pagando a viagem de meu bolso para entregar ao dirigente do órgão, Kofi Annan uma carta com o pensamento do Congresso sobre o combate à pobreza.
Ele comentou também que a decisão dos Estados Unidos de amparar os países pobres deveria se estender aos países que, como o Brasil, não são pobres, mas têm muitos pobres. O senador disse que, se mantida a atual condição, dentro de décadas o País estará na mesma situação dos que hoje estão tendo as dívidas perdoadas pelo governo norte-americano.





