O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), cobrou ontem do governo uma resposta ao parlamento argentino que aprovou lei proibindo a redução da alíquota de 38% incidente sobre importações de açúcar do Mercosul. Segundo ACM, ‘‘o Brasil não é o verdadeiro beneficiário do Mercosul’’. O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), apoiou o projeto de decreto legislativo apresentado na semana passada pelo presidente da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, deputado Paulo Bornhausen (PFL-SC), suspendendo a compra de trigo da Argentina, em represália à decisão do Congresso daquele país. Temer, segundo o relato do deputado catarinense, disse que a restrição ao açúcar brasileiro ‘‘tornou assimétricas’’ as relações entre os dois países.
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai se encontrar com o presidente argentino, Carlos Menem, na fronteira do Brasil com a Argentina, no próximo dia 27, para lançar as obras da ponte que vai unir São Borja (RS) e Santo Tomé, em território argentino. Ao divulgar o encontro, ontem, o Ministério das Relações Exteriores afastou a possibilidade de uma reunião dos dois presidentes nesta semana, em São Paulo, para discutir as tarifas cobradas pela Argentina sobre o açúcar brasileiro. Menem participa amanhã de um fórum econômico sobre o Mercosul. Fernando Henrique é esperado na sexta-feira para o mesmo encontro.
Fontes do Itamaraty disseram que os dois presidentes teriam pouco o que conversar agora sobre a questão do açúcar. O governo daquele país reafirmou às autoridades brasileiras que mantém seu compromisso de diminuir a tarifa, mas neste final de semana o ministro argentino da Economia, Roque Fernandez, pediu tempo para que seja encontrada a melhor solução para o impasse.

mockup