ACM cobra flexibilização de Malan
Agência Folha e
Agência Estado
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL- BA), elogiou ontem a demonstração de autoridade do presidente Fernando Henrique Cardoso ao demitir o ex-ministro Clóvis Carvalho, mas fez um alerta ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que saiu fortalecido do episódio: seu cargo também estará ameaçado se não houver flexibilização da política econômica em três ou quatro meses.
O Malan deve ter a inteligência de procurar a flexibilização indispensável ao bom rumo do governo. Quando se tem uma prova de força, não se deve abusar, disse ACM à reportagem. Ninguém vai pensar que o Brasil melhorou porque o Clóvis Carvalho saiu do governo. O próprio presidente do Senado disse que vai continuar defendendo mais investimentos na área social. Segundo ele, a estabilidade da moeda conduzida pelo ministro da Fazenda tem de resultar em desenvolvimento. O ministro Malan saiu prestigiado, mas, se o governo demorar três ou quatro meses para mostrar os resultados efetivos da política econômica, uma nova crise virá e o presidente (FHC) dirá que a situação não melhorou, embora tenha dado toda força ao ministro, disse ACM à reportagem.
ACM afirmou que, na sua opinião, o presidente não terá pressa em substituir Carvalho e fará uma escolha pessoal. Disse que os partidos aliados não terão coragem de pressionar FHC com indicações para o cargo, mas que, se o fizerem, FHC não deve ceder. A partir do ato do presidente, nenhum partido vai pressionar. E, se isso acontecer, o presidente pode e deve fazer ouvidos de mercador. Ele coloca no cargo uma pessoa que tenha perfil, disse.
Para ACM, o presidente não poderia adotar outra atitude senão o afastamento de Carvalho, depois de ele ter divergido publicamente de Malan, em seminário do PSDB. O fato de o presidente ter mostrado autoridade foi bom para o país. O presidente colocou o dever acima da amizade e deu uma demonstração de comando firme. Acho que, por enquanto, não vamos ter mais problemas. Na opinião do presidente do Senado, Carvalho não foi demitido por suas
idéias, mas pela forma como as tornou públicas. Foi indisciplina, disse
O presidente Fernando Henrique Cardoso deve anunciar até quarta-feira o nome do sucessor de Clóvis Carvalho no Ministério do Desenvolvimento. No início da noite de ontem, ele recebeu o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn.
Nas duas horas em que participou da solenidade da troca da bandeira, na Praça dos Três Poderes, o presidente preferiu o silêncio sobre o nome do novo ministro. Nem conversou sobre esse assunto com os ministros da Defesa, Élcio Alvares, da Cultura, Francisco Weffort, e da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardemberg.
Entre os citados para o cargo estão o atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, o deputado Delfim Netto (PPB), o secretário-executivo do Desenvolvimento, Milton Seligman, e hoje surgiu o nome do ex-diretor do Banco Central (BC), Alkimar Moura, que estaria sendo sugerido pelo ministro Malan.





