ACM cobra apoio de FHC à sua candidatura ao Senado
PALMAS - Ao final de uma semana de crises, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi praticamente convocado a se envolver na disputa entre o PMDB e o PFL pela presidência do Senado. O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) cobrou ontem o apoio do presidente à sua candidatura contra o senador Íris Rezende (PMDB-GO). Eu ficaria muito feliz se a preferência dele fosse eu, disse Magalhães. A disputa pelo Senado está rachando a base governista e foi contaminada pelas denúncias contra o relator-geral da Comissão Mista de Orçamento, Carlos Bezerra (PMDB-MG).
Acusado, por uma comissão da Câmara dos Deputados, de ter manipulado rubricas do Orçamento, Bezerra é aliado de Íris e do atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que já saiu em sua defesa. A acusação é uma irresponsabilidade da comissão da Câmara, disse Sarney. Dessa forma, Planalto e cúpula do PMDB trabalham contra a instalação de uma CPI do Orçamento que investigaria Bezerra. A aliança, no entanto, termina aí, pois o partido não abre mão da presidência do Senado.
O governo também tem problemas com o PPB, por causa da quebra de sigilo em contas de parlamentares no Banco do Brasil. O PTB está rebelado desde que seu líder, Pedrinho Abrão (GO), foi acusado pelo ministro Gustavo Krause de cobrar propina. A conjunção de crises ameaça o cronograma da reeleição, que, pelos planos iniciais, deveria ser aprovada na Câmara durante a convocação extraordinária de janeiro.
Acompanhando o presidente da República numa solenidade em Palmas (TO), Antônio Carlos Magalhães lembrou ter dado apoio a Fernando Henrique Cardoso na campanha presidencial. Não me lembro se o outro candidato o apoiou, disse ele. Na verdade, todos os interessados se recordam de que Íris Rezende apoiou o candidato do PMDB, Orestes Quércia. A vice de Quércia era a mulher do senador, também chamada Íris.
O presidente da República sabe que não vou atrapalhar seu governo, frisou Antônio Carlos Magalhães. Vou dar a respeitabilidade que o Senado precisa e que o presidente Sarney tem dado a ele.





