ACM assume defesa de Fernando Henrique
ACM assume defesa de Fernando Henrique
Senador critica Lula, candidato do PT à presidência, a equipe de comunicação do governo e até a lei eleitoral
Agência Estado
Arquivo FolhaTiroteioACM: Lula não tem programa e nem sabe o que vai fazer com o Brasil O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), demonstrou ontem que vai revidar os ataques feitos ao presidente Fernando Henrique Cardoso e criticar os integrantes do Executivo que não ajudam o governo, a exemplo do que fazia o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, morto em abril. Ontem, o senador comentou as pesquisas eleitorais desfavoráveis a FHC, criticou o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe de comunicação do governo e a lei eleitoral.
Para ACM, Lula não tem programa e nem sabe o que vai fazer com o Brasil. O Brasil não quer isso, frisou. O Brasil quer rumo e o presidente Fernando Henrique está dando rumo ao País e agora vai intensificar os programas na área social. Ele, porém, recomenda a FHC que não aceite confrontos com Lula. A diferença é tão grande, que o confronto faria o Lula crescer, disse.
O senador pefelista também atacou a assessoria de comunicação do presidente, que, segundo ele, não é das melhores. Sugeriu que o presidente fale aos jornalistas com mais frequência, em vez de dar longas entrevistas. Eu falaria com a imprensa diretamente dois ou três minutos, sugeriu. Acho que assim o povo brasileiro iria assimilar mais facilmente o que o governo faz, em vez de ouvir pronunciamentos e entrevistas longas.
Antônio Carlos também incentivou Fernando Henrique a assumir de uma vez por todas a posição de candidato, mesmo ciente de que a lei eleitoral só permite propaganda a partir do dia 6 de julho. Segundo ele, o presidente tem de mostrar que é candidato porque isso é bom para o Brasil. O senador disse que os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devem interpretar a lei com inteligência e reconhecer que um candidato apoiado em convenção, em junho, não pode aguardar até o dia 6 de julho (quando começa oficialmente a campanha) para se declarar como tal. Ele não pode dizer que só depois do dia 6 é que vai responder sobre o que fará no governo, criticou. Então a lei eleitoral é que é malfeita.
O senador atribuiu o crescimento de Lula nas pesquisas eleitorais à ineficiência da equipe que cuida da comunicação do governo. Citou como exemplo fatos importantes adotados pelo presidente que mereceriam ampla divulgação mas que foram ignorados pelos seus assessores. É o caso do seu veto ao item da medida provisória que aumentava de 25% para 50% do preço da obra contratada de empreiteiras e a inauguração, sem divulgação, da ponte de quatro quilômetros sobre o Rio Paraná, que ligará Mato Grosso do Sul a São Paulo.
Antônio Carlos disse que o veto presidencial derrubou uma certa conivência de alguém da Casa Civil. O presidente deveria ter falado com a imprensa sobre isso, propôs. Foi importante, do ponto de vista da moralidade, mas o presidente tratou do assunto só com o Diário Oficial. Ele lembrou que na eleição de 1994, em junho, Fernando Henrique estava 30 pontos abaixo de Lula e que ainda assim venceu a eleição no primeiro turno. Consequentemente, a situação do presidente é bem melhor agora, constatou.
O presidente do Senado endossou a posição de Fernando Henrique sobre a existência de vagabundos na previdência, explicando que falava daqueles que recebem aposentadorias acima de R$ 40 mil e até banqueiros que recebem aposentadoria do INSS. Segundo ele, o adjetivo é válido, mas não pode ser aplicado de forma generalizada.





