Patrícia Zanin - De Londrina e
Leandro Donatti - De Curitiba
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), arquivou ontem o pedido de instalação da CPI dos Bingos proposto pelo senador Osmar Dias (PSDB-PR). O requerimento para a criação da comissão foi apresentado anteontem, com 33 assinaturas, mas sete senadores voltaram atrás e retiraram seus nomes. Para a comissão ser aprovada, são necessárias 27 assinaturas – o equivalente a um terço do total dos senadores. Como reação à articulação dos governistas, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou ontem projeto de lei proibindo o jogo do bingo em todo o País.
O tucano ficou irritado com o esforço concentrado da base aliada para minar a CPI dos Bingos e disse, em Brasília, que ficou clara a manobra do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF) e do líder do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA). Para Osmar, o governo demonstrou comprometimento com o assunto. ‘‘O PMDB soube salvar o PFL. Agora o PFL vai salvar o PMDB na CPI do DNER que está sendo cogitada’’, disse o tucano, em Brasília, referindo-se à tentativa de criação de uma comissão para apurar o pagamento irregular de precatórios do DNER, vinculado ao ministério dos Transportes, cujo ministro, Eliseu Padilha, que é o PMDB.
Anteontem, ao apresentar o pedido de criação de CPI, Osmar Dias não demonstrava confiança no fato de a investigação sair do papel. Ele acusou Arruda de trabalhar para minar a comissão. A assessoria do líder confirmou que o governo não tinha interesse em investigar os bingos.
O arquivamento do pedido de CPI foi tema da reunião da executiva nacional do PFL, ontem em Brasília. Greca participou do encontro, acompanhado do governador Jaime Lerner (PFL). Ao final do almoço, a executiva divulgou moção de apoio ao ministro. A estratégia de abafar as investigações pretendidas por Osmar não são de agora. Vêm desde que estourou o escândalo, quando o ex-presidente do Indesp Manoel Tubino deixou a função disparando contra Greca. Acusando-o de conivência com um esquema de cobrança de propinas e lavagem de dinheiro do narcotráfico, pela máfia italiana.
O projeto proposto ontem por Requião é uma reação do peemedebista à manobra do PFL de livrar Greca da responsabilidade. De acordo com o peemedebista, o dispositivo constante da Lei Pelé ‘‘não trouxe nenhum benefício aos clubes e aos esportes’’. Para o senador, os bingos tornaram-se fonte de desvio de dinheiro, de corrupção e ‘‘uma porta de entrada para o crime organizado’’. Requião fala ainda na ‘‘indústria do bingo’’ que se criou no Brasil e diz que a portaria de Greca, baixada em junho, ‘‘consolida a liberação dos bingos’’.
Greca reagiu com ironia à proposta de Requião, seu desafeto político. O ministro, que não escondia ontem em Brasília a sua alegria com a moção do PFL e o arquivamento da CPI, disse estranhar a postura de Requião, que concordou tacitamente com a liberação dos bingos, quando da apreciação da Lei Pelé pelo Congresso. Na época, lembra Greca, o dispositivo foi aprovado simbolicamente por todos os parlamentares.

mockup