ACM alerta aliados sobre cargos
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quarta-feira, 07 de fevereiro de 2001
Gerson Camarotti Agência Estado De Brasília 
No meio do tiroteio com o Planalto, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, já tomou uma medida preventiva. Padrinho político dos ministros de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e da Previdência, Waldeck Ornélas, o cacique baiano alertou os dois sobre a possibilidade de terem de deixar o governo, segundo um interlocutor.
Apesar de ter preparado os seus afilhados para uma eventual surpresa depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, no dia 14, ACM também orientou os ministros a não entregarem os cargos. A orientação do senador é para que eles esperem uma demissão formal, a ser anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em uma provável reforma ministerial.
Com a eventual demissão, ACM espera que o presidente assuma o ônus de explicar para a opinião pública os motivos da saída dos dois auxiliares. Nesse caso, Fernando Henrique teria de justificar por que estava tirando do governo dois ministros competentes, disse ACM ontem a um interlocutor.
A conversa foi a demonstração de que, dependendo do resultado da sucessão no Congresso e de como será a reação do Planalto, ACM está disposto a tomar uma posição de independência. Mesmo assim, ele tem dito a amigos que ainda duvida da decisão de FHC de efetuar as trocas nos ministérios.
A idéia das demissões ganhou força no final do ano passado, quando, pela interpretação do Planalto, cresceu o número de problemas causados por ACM. Mesmo assim, interlocutores de FHC têm ressaltado que nos períodos das piores crises, ACM sempre teve uma atuação importante. Lamentavelmente, os problemas causados por ele acabaram ofuscando sua contribuição, explicou um colaborador do presidente.
Numa solução intermediária, cogita-se apenas a demissão de Tourinho. Ele é visto pelo governo como uma peça-chave no jogo regional de ACM e sua saída daria mais prejuízos ao senador.


