ACM adverte que não aceita invasão
Tânia Monteiro
Agência Estado
De Brasília
O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), advertiu ontem que não aceitará invasões às dependências do Congresso. Ninguém pode entrar na casa de ninguém sem ordem, afirmou. Nem eu na sua, nem você na minha e que dirá no Congresso, acrescentou o senador, que espera que a manifestação seja democrática e sem ultrapassar os limites. Não será bom para ninguém, principalmente para as oposições, comentou ele, ao acrescentar que, se os limites forem ultrapassados, tudo poderá acontecer.
Há pouco mais de um ano, quando ocupava interinamente a presidência da República, ACM convocou o Exército para impedir que os sem-terra subissem a rampa do Planalto. Em virtude desse mesmo episódio, quando os manifestantes quiseram também invadir o Congresso, ele mandou construir um espelho dágua ao redor do prédio.
O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, responsável pela segurança do Palácio do Planalto e do presidente FHC, afirmou que a orientação do governo é de que seja evitado ao máximo o confronto. Ele lembrou que o Exército estará de sobreaviso, nos quartéis. O general disse ainda que não dispõe de informações que existam grupos radicais predispostos a fazer algazarra ou balbúrdia. Os indícios que ele tem são de que a manifestação será ordeira e pacífica.
O general Cardoso reiterou que a passeata deverá reunir entre 50 e 60 mil manifestantes e não os 100 mil previstos pelos organizadores. Mas sempre é muita gente, observou ele, ao falar da preocupação do governo com o evento. Lembrou, no entanto, que o importante é que os organizadores da marcha também querem que a passeata seja ordeira.
ACM, por sua sua vez, considerou otimista a estimativa de participantes da marcha do general. Vai ser muito menos, mas a mídia vai dizer que foi mais, ironizou. Estou achando esse pessoal cansado no meio do caminho e acho até que tem pneu furado.
ACM acha que FHC não tem motivos para negociar com os manifestantes. Essa não é uma maneira correta de protestar, declarou. Ele vai dialogar com quem pede a renúncia dele?, questionou.





