O andamento da segunda fase da Operação Publicano, deflagrada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Londrina e outras nove cidades, foi além das dezenas do cumprimento das dezenas de mandados e teve acidente de trânsito, apreensão de aves e até micro-ônibus da Polícia Militar para transportar o elevado número de detidos. "Talvez, o maior número de prisões feitas de uma vez", comentou o promotor Jorge Fernando da Costa.
O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, decretou a prisão de 59 pessoas, sendo 50 auditores, um advogado e oito contadores. Até ontem, haviam sido presos 42 auditores (incluindo dois que já estavam detidos), sete contadores e um advogado, Fabrício Resende Camargo, filho do auditor José Aparecido Camargo, que já foi delegado da Receita de Maringá e está aposentado desde o início do ano.
A operação também cumpriu 65 mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho dos detidos e 49 mandados de condução coercitiva, ou seja, pessoas que devem ser levadas ao Gaeco apenas para prestar depoimento. "As conduções coercitivas são principalmente contra empresários que teriam pago propina", disse o promotor.
As prisões, buscas e apreensões ocorreram em dez cidades, incluindo Londrina: Curitiba, Maringá, Arapongas, Apucarana, Cambé, Cornélio Procópio, Rolândia, Ibiporã e Assaí.
Logo no começo da manhã, quando os policiais cumpriam as ordens judiciais, a mulher de um dos acusados se envolveu num acidente com uma viatura quando tentava fugir, no Jardim Quebec, área central. Ninguém se feriu e o suspeito foi levado.
Na casa de outro auditor, cujo nome não foi confirmado, a equipe do Gaeco flagrou um crime ambiental e apreendeu dois pássaros-pretos que eram mantidos em gaiolas. Aves silvestres nativas, os passarinhos deverão ser soltos no Parque das Aves de Apucarana, segundo a Polícia Ambiental, depois da instauração do inquérito com base na lei de crimes ambientais.
Já na sede do Ministério Público (MP), que está em reformas para ampliação, faltou espaço para tanta gente. Além dos agentes envolvidos na operação, dezenas de advogados aguardavam um momento para prestar atendimento aos clientes. O membro da comissão de prerrogativas da OAB Londrina, José Carlos Mancini Junior, disse que a estrutura do local prejudicou o trabalho da categoria. "Infelizmente, não temos muitas instituições públicas no país que ofereçam a estrutura adequada. Alguns colegas acabaram esperando muito tempo para falar com os seus clientes, mas não vou atribuir isso aos membros do Gaeco e sim à falta de estrutura do prédio."
Para transportar os presos até a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL2), o MP solicitou reforço e um micro-ônibus da PM foi deslocado para a tarefa. Escoltado por batedores, o veículo chegou na PEL no começo da tarde.

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