A Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) afastou ontem por 30 dias três servidores citados na investigação de irregularidades na venda de serviços de tanatopraxia (conservação de cadáveres). O prazo é equivalente ao período que a Controladoria Geral do Município vai levar para encerrar as investigações. Foram afastados, sem prejuízo dos salários, o plantonista, Mauro Pinto Ferreira, e os preparadores de corpos, Claudemir Mendes e Antônio Vaz Viana.
O edital de afastamento cita que que a medida foi necessária ''considerando os graves indícios pertinentes à indução de maneira indevida da contratação de tanatopraxia''; que ''tais atividades são estranhas às atividades da Acesf e incompatíveis com os cargos ocupados''; e que contrariam ''o interesse público e os princípios da eficiência e da moralidade''. Segundo apurou a FOLHA, há suspeita de que os funcionários teriam continuado a forçar a venda da tanatopraxia após a publicação das denúncias pela imprensa visando impedir a queda de volume do serviço - o que indicaria a existência da comercialização indevida antes da investigação.
A denúncia que chegou ao Ministério Público (MP) e à controladoria indica que servidores receberiam propina das empresas empresas particulares que prestam o serviço, Tanato Londrina e Tanatorium Bom Pastor, na proporção dos corpos enviados. Levantamento a que a FOLHA teve acesso mostra que, desde fevereiro de 2007, as duas empresas realizaram 922 procedimentos de tanatopraxia. O preço médio varia de R$ 1.200 a R$ 1.800 - bem acima dos R$ 400 cobrados em cidades próximas a Londrina. No total, o faturamento das empresas com a tanatopraxia fica próxima a R$ 1 milhão nesse período.
A superintendente da Acesf, Camila Kauan, que assinou o edital de afastamento, disse ter acatado determinação encaminhada pela Controladoria do Município. A medida passou a vigorar, de acordo com ela, a partir desta terça-feira.
O controlador do município, Mílson Dias, considera que os indícios de irregularidades na venda de tanatopraxia são consistentes. De acordo com ele, os servidores devem ser processados administrativamente pela Corregedoria do Município - e podem até ser demitidos em caso de condenação. Não foi descartada a possibilidade de outros funcionários também serem denunciados.

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