Acareação mantém impasse entre versões
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quinta-feira, 03 de maio de 2001
Doca de Oliveira e Renata Giraldi Agência Estado De Brasília 
Envolvidos no escândalo da violação do painel de votação do Senado, os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) não conseguiram ontem derrubar a versão dos fatos apresentada pela ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen) Regina Célia Peres Borges.
Diante dos dois senadores e dos membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Regina sustentou ter recebido uma ordem do então presidente da Casa, por intermédio de Arruda, para extrair a lista com os votos da sessão em que foi cassado o mandato do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), em 28 de junho de 2000. Ele pediu-me, claramente, a lista de votos, disse Regina.
Desmentida minutos depois, ela sustentou a afirmação, categoricamente. A primeira acareação da história do Senado acirrou o impasse entre as versões defendidas pelos três protagonistas do episódio e aprofundou entre os senadores do Conselho a impressão de que os colegas não falaram a verdade integral.
Ao manter integralmente a versão, Regina agravou a situação de ACM e Arruda, que não conseguiram refutar os argumentos dela. Os senadores também trocaram desmentidos entre si. Contradição qualificada como essencial, a divergência entre uma ordem, pedido e consulta, observada nas versões de Regina e Arruda foi mantida. Eu descarto a palavra consulta, absolutamente, respondeu a ex-diretora do Prodasen, após ouvir o ex-líder do governo reafirmar que lhe tivera feito uma consulta, em tom ameno e com a maior tranquilidade, sobre o grau de segurança do painel de votações. A diferença entre ordem e pedido é tênue; dependendo de como chega e da autoridade com que é colocado, um pedido se transforma em ordem, rebateu. A possibilidade de dizer não é o que determina qual a reação, afirmou.
Eu não posso entrar no mérito do que ela entendeu, não sei quais são os seus sentimentos pelo Antonio Carlos, se tem respeito ou medo, replicou Arruda, visivelmente acuado. Estou convencido de ter feito uma consulta.
A ex-diretora do Prodasen foi taxativa ao descartar outra das bases do discurso de Arruda, para quem, diante de uma simples consulta, ela tenha se precipitado e decidido sozinha violar o painel de votações do Senado. Se me tivessem pedido apenas para checar a segurança do painel, eu jamais teria violado o sistema, afirmou. Não dei nenhuma autorização ao senador Arruda para tratar desse ou qualquer assunto, disse ACM.
No depoimento, Arruda afirmou que teria consultado Regina por causa da preocupação com o grau de segurança do painel externada pelo então presidente da Casa. Embora tenha mantido a versão de que não pediu nenhuma informação sobre o painel, mais uma vez, ACM não conseguiu esclarecer os motivos que o levaram a telefonar para Regina com o objetivo de a tranquilizar após ter visto a lista com os votos da cassação. O Arruda pediu-me, mas não falei em lista, sustentou. É muito fácil para os senhores me cobrar (por) não ter me escandalizado, disse o senador baiano, num dos momentos em que partiu para o ataque aos colegas. Ela cometeu um ilícito, mas ilícito maior teria sido anular aquela votação.


