Ação vai questionar compra de prédio para uso da prefeitura
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2002
Rosana Félix Equipe da Folha 
Curitiba - A compra do edifício Delta Corporate Building pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Curitiba (IPMC) vai parar na Justiça. O vereador de Curitiba Tadeu Veneri (PT) solicita hoje ao Ministério Público (MP) estadual a instauração de ação civil pública contestando o negócio, que segundo ele, foi feito para beneficiar terceiros. O IPMC comprou 85% do prédio por R$ 18,1 milhões, para alugá-lo à Prefeitura de Curitiba, que vai transferir cinco secretarias para o local até julho.
Quatro empresas formaram um consórcio para a construção do Delta. Segundo contrato social, obtido na Junta Comercial do Paraná, a Irmãos Thá Construções, Indústria e Comércio possui 33% da sociedade. A Viação Cidade Sorriso Ltda. e a Canela Participações e Administrações Ltda., ambas do empresário Donato Gulin, detêm 46,6% do capital social. E a Liberté Participações e Administrações, do irmão de Donato, José Carlos Gulin, possui 20%. Donato Gulin é empresário do ramo de transportes e sócio da Tradener, empresa comercializadora de energia que tem parcerias com a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
O IPMC vai pagar pelo prédio R$ 2,6 milhões à vista com um terreno que era de sua propriedade, na BR-116, no bairro Guabirotuba. O restante será pago em 36 parcelas. A prefeitura vai alugar o local para abrigar as secretarias da Educação, Saúde, Criança, Esporte e Lazer e o Instituto Municipal de Administração Pública (Imap), em um total de 3,5 mil servidores.
O Gulin que é o dono da história. Isso é um chuncho descarado, uma falcatrua, afirmou Tadeu Veneri, que também pretende ajuizar uma ação popular e uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado. Para ele, as irregularidades começaram quando a prefeitura encaminhou à Câmara projeto da desafetação da área do IPMC na BR-116. Ele veio em regime de urgência, e não passou por nenhuma comissão da Câmara, declarou. Ele disse que estranhou o fato do IPMC parcelar em 36 vezes o pagamento do edifício. A Câmara aprovou, em 10 de dezembro, a destinação de R$ 10 milhões para a compra do prédio, e assim o pagamento ficaria em duas vezes de R$ 5 milhões, relatou.
Veneri também questiona a falta de licitação para a compra do prédio. A prefeitura alegou que haveria dispensa de concorrência nesse caso, mas o Delta não é o único prédio que interessa ao IPMC, além de ter o metro quadrado mais caro da cidade, argumentou.
Segundo a prefeitura, o edifício era a melhor opção para abrigar as secretarias. Atualmente, são gastos R$ 140 mil mensais no aluguel dos prédios dos cinco órgãos. Estima-se que o aluguel no Delta fique em torno de R$ 145 mil por mês. A prefeitura afirmou que vai ter redução nos gastos, mas não sabe precisar os valores.


