Curitiba - Imóveis comprados pela Associação Paranaense das Senhoras dos Deputados Estaduais (Apasde), uma entidade sem fins lucrativos formada pelas mulheres dos parlamentares, são alvo de ação popular que tramita na Justiça Estadual.
A ação popular, encaminhada à Fazenda Pública no último dia 4, está em nome de um funcionário público aposentado do Poder Legislativo estadual. O funcionário aposentado propôs ação popular contra a associação por entender que o valor gasto em imóveis é muito alto, e que esses imóveis não trazem benefícios à entidade ou à população. A ação popular tem como objetivo anular atos lesivos ao patrimônio público. A ação ainda não havia sido distribuída para uma das quatro varas de Fazenda Pública na Capital.
A Apasde, pessoa jurídica de direito privado, foi fundada em outubro de 1971, com a finalidade de ''proporcionar maior congraçamento entre todas e desenvolver atividades filantrópicas em prol dos menos favorecidos pela sorte''. A Apasde é uma entidade sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
O patrimônio da associação é composto por bens móveis e imóveis, reservas, doações, contribuições, subvenções, legados e verbas especiais.
A denúncia dá conta que a Apasde desviou-se de sua finalidade, passando a usar grandes somas de dinheiro na aquisição de imóveis de alto valor em bairro nobre de Curitiba no caso o Centro Cívico. Com essas aquisições, a entidade formou ''em curtíssimo espaço de tempo um invejável patrimônio imobiliário de mais de R$ 1 milhão'', diz trecho da ação popular.
São seis imóveis (terrenos mais residências de alvenaria) espalhados pelo bairro Centro Cívico, adquiridos entre 1999 e 2001. No total, valem R$ 1.050.000. Um dos terrenos, na Rua Marechal Hermes, por exemplo, está sem casa, que foi demolida. Outro sedia uma escolinha para crianças.
A ação aponta que a aquisição desses imóveis, que geram um patrimônio imobilizado elevado à entidade, são lesivos ao patrimônio público. A ação explica que os imóveis não servem para sediar a Apasde, pois ela funciona em uma sala dentro do prédio da Assembléia Legislativa, também no Centro Cívico. A ação coloca que a Apasde se desvia de suas funções assistenciais ao usar seus recursos para comprar imóveis, e lembra que, quando criada, a entidade não tinha imóveis.
A Folha não conseguiu contato na tarde de ontem com a Apasde para comentar a ação. Ninguém atendeu o telefone na sala que abriga a entidade. A Folha também procurou a presidente da entidade, Ana Maria Martins Brandão, mulher do presidente da Assembléia Hermas Brandão (PSDB), mas ela não foi localizada.

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