Ação questiona compra de ações pela Copel
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quinta-feira, 14 de abril de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O jornalista e advogado Ogier Buchi ajuizou uma ação popular contra o governo do Estado e a Companhia Paranaense de Energia (Copel) devido a supostas irregularidades na aquisição por parte da estatal de ações da Construtora Triunfo. Segundo Buchi, o governo promoveu uma série de alterações na legislação da Copel para favorecer a construtora, que culminaram na compra de 60% das ações da Triunfo nas Centrais Elétricas do Rio Jordão (Elejor). Buchi entrou em confronto com o governo após denunciar uma suposta tentativa de corrupção do secretário de Comunicação, Airton Pisseti, contra o secretário de Indústria e Comércio, Luiz Mussi.
A ação está correndo na 3 Vara da Justiça Federal. Além do governo e da Copel, a Eletrobrás, a Paineiras Empreendimentos (sócia da Elejor) e a Triunfo figuram como rés no processo. Além de pedir a anulação da compra de ações da Triunfo por parte do governo, Buchi também pede uma liminar obrigando as partes envolvidas a entregar a documentação que embasou a negociação.
Na ação, Buchi destaca o fato de que a Fundação Copel comprou R$ 56 milhões em ações da concessionária de pedágio Econorte, justamente em um momento em que o governador Roberto Requião (PMDB) travava uma batalha jurídica contra o pedágio. De acordo com o advogado, a Triunfo controla parte da Econorte, e a compra de ações teria o intuito de favorecer a construtora.
O advogado também questionou a lei sancionada pelo governador que prevê que a Copel seja majoritária em todas as parcerias que detém com a iniciativa privada. Buchi afirma que, por lei, uma alteração na política de parcerias da Copel teria que ser aprovada antes pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). ''Além disso, é um absurdo que um sócio que quer se tornar controlador da empresa parta direto para a compra das ações do sócio majoritário. A prática comum é tentar compor o capital com os parceiros minoritários, para depois partir para a negociação com o controlador'', destacou Buchi.
O advogado sustenta que a redação da lei foi feita apenas para favorecer a Triunfo, que na época detinha 60% das ações da Elejor, com a Paineiras e o governo restando com 20% cada. Outra denúncia feita por Buchi diz respeito a falta de autorização da Assembléia Legislativa para a transferência de ações.
Além de pedir a anulação do negócio, Buchi pede também que a Triunfo, Requião e os dirigentes da Copel, Gilberto Griebler e Ronald Ravedutti, indenizem o erário pelos danos causados com a operação.
A reportagem da Folha tentou contato com o procurador-geral do Estado Sérgio Botto de Lacerda para ouvir a versão do governo sobre as acusações, mas foi informada que a Copel estaria cuidando do assunto. Até o início da noite de ontem, a Copel não havia retornado as ligações da Folha.


