A contratação de parentes por nove dos dez vereadores de Cambé (13 km a oeste de Londrina) gerou uma ação popular, protocolada ontem pela manhã no Fórum da cidade, contra o presidente da Câmara, Osmarino Manzoni (PSDB). A ação, representada por quatro pessoas, entre comerciantes, representantes de associações de moradores e um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pede por meio de liminar, o fim da prática do nepotismo e o afastamento imediato dos parentes contratados pelos vereadores.
Segundo o advogado Carlos Fernandes da Veiga, representante da OAB de Cambé, o documento mostra a ''indignação'' da população frente a atitude dos vereadores. Dos 29 nomeados em janeiro, 15 são parentes dos vereadores, conforme a ação popular. O parentesco inclui irmãos, esposa, filhos, sobrinhos, cunhados e genros. ''O próprio presidente da câmara emprega uma sobrinha'', afirma Veiga.
Além das contratações no início do ano, outras nomeações teriam sido feitas ao longo dos meses. ''Estamos fazendo um levantamento dessas novas contratações para incluir no processo.'' A ação afirma ainda que muitos dos parentes contratados não estão exercendo a função para a qual foram nomeados. ''Esperamos que o Poder Judiciário de Cambé resolva esse problema. Temos muitas pessoas desempregadas, que precisam trabalhar e estão capacitadas para exercer esses serviços'', diz Veiga.
Um abaixo-assinado contendo uma relação de quase 800 nomes, além de reportagens publicadas na imprensa, foram anexados ao processo. Pelo trabalho, os servidores recebem salários entre R$ 1 mil e R$ 4.230 por mês.
A contratação de parentes infringe o artigo 37 da Constituição Federal, que fala sobre os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade no exercício da função. Fere também a Lei Orgânica do Município, no artigo 92, que prevê a não contratação de parentes até segundo grau, tanto para prefeito, vice, vereadores e servidores municipais.
''O problema é que agindo dessa forma, os vereadores também desrespeitam o artigo 15 da Lei Orgânica do Município, onde prometem cumprir a Constituição Federal, estadual e muncipal'', afirma Valdinei Timóteo Rocha, presidente do PTB e de associação moradores que assina o documento.
Para o comerciante José Odair Batelane, que também assina a ação, o dinheiro recolhido dos contribuintes nos impostos ''está indo pelo ralo''. ''Queremos que os vereadores representem os anseios da comunidade, legislando e fiscalizando. Mas não é isso o que acontece.''
Também assinam a ação o presidente da Associação de Moradores Marcos Aparecido Soares e o presidente da Federação das Associações de Moradores de Cambé, José Marinho Costa, que atende 52 associações.
O presidente da Câmara, Osmarino Manzoni, não foi localizado pela reportagem. Os serviços públicos não funcionaram ontem na cidade por conta do protesto das prefeituras. Os trabalhos da Câmara só retornam na quinta-feira.

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