Ação já fez mais de 100 prisões
Edinelson Alves
De Brasília
Especial para a Folha
Ainda que não tenha montado o quebra-cabeça final para conectar chefões que agem em 14 Estados, a CPI do Narcotráfico tem sido um instrumento de combate ao crime organizado. Instalada em 13 de abril de 1999, ela foi responsável pela cassação de três deputados, além da prisão de mais de 100 pessoas envolvidas com tráfico ou contrabando. No Acre, foi desmontado o esquema criminoso do deputado cassado Hildebrando Pascoal, ex-PM. Ele foi cassado e está preso juntamente com outros 30 PMs acusados de integrar o grupo.
A CPI desmascarou uma quadrilha de roubo de cargas, caminhões, tráfico e contrabando de armas do Norte, ligada a São Paulo. Como comandantes, foram apontados Pascoal, Gerardo Abreu e Francisco Caíca (também deputados cassados), e também o deputado Augusto Farias (PPB-AL) e o empresário William Sozza (foragido). Até mesmo o mais famoso legista do País, Badan Palhares, caiu na rede, acusado de vender laudos para a quadrilha.
No Espírito Santo, o presidente da Assembléia, José Carlos Gratz (PFL), foi acusado de comandar o crime no Estado. Pela denúncia, o escritório do ex-ministro da Defesa Élcio Alvares e de sua assessora, Solange Antunes, dava cobertura aos criminosos. Também foi apurado que o Estado é um dos mais violentos do País. A possível utilização de aviões da FAB para enviar drogas para a Europa dentro do esquema do traficante Fernandinho Beira-Mar foi a principal denúncia apurada no Rio.
Para concluir com êxito sua missão, a CPI do Narcotráfico ainda tem um árduo trabalho pela frente. Ainda precisa ser esclarecido: qual o envolvimento do deputado José Aleksandro (que assumiu a vaga de Pascoal); qual a vinculação do deputado Augusto Farias (irmão de PC); explicar qual foi realmente o comprometimento de Palhares; se o ex-ministro Élcio Alvares e sua secretária tiveram alguma participação no esquema; por fim, aprofundar as investigações no Rio para se descobrir as ramificações dos traficantes naquele Estado.





