Ação investiga desvio de verbas
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 1999
Sid Sauer 
O promotor de Proteção e Defesa do Patrimônio Público da comarca de Campo Mourão, Mauro Sérgio Rocha, começa a ouvir amanhã os primeiros depoimentos no inquérito civil aberto para investigar a acusação de que o ex-diretor administrativo-financeiro da Fundação Cultural de Campo Mourão (Fundacam), Marcos Rodrigues dos Santos, teria desviado R$ 143.730,00 da instituição entre 1995 e 1998.
O inquérito civil foi aberto no dia 18, assim que o procurador-geral da prefeitura, Roberto Ribeiro de Castro, entregou ao Ministério Público o resultado da auditoria que apurou as irregularidades. A auditoria já seria suficiente para que abríssemos uma ação civil e outra criminal contra o acusado, afirma o promotor. Mas vamos ouvir todas as pessoas novamente para confirmarmos se não existem outros envolvidos, completa.
Na auditoria, Rodrigues, que ocupou o cargor na Fundacam do início de 1993 até outubro do ano passado, admite ter realizado os desvios e assume sozinho a responsabilidade. Segundo ele, ninguém mais estava envolvido no caso. Rodrigues também disse à auditoria que se apossou do dinheiro público por pressão de agiotas, para quem estaria devendo.
O ex-diretor disse que estaria disposto a devolver o dinheiro, mas que não tinha noção do total. O promotor Mauro Sérgio Rocha ressalta que, mesmo que Rodrigues devolva o dinheiro, ele terá que responder a um processo criminal, caso as denúncias sejam confirmadas, correndo o risco de ser condenado à prisão.
De acordo com a auditoria, Rodrigues inventava despesas para a Fundação Cultural, criando nomes de pessoas e até mesmo CPFs fictícios. O dinheiro paras as despesas forjadas ficava com ele. O ex-diretor também é acusado de ter falsificado a assinatura de presidentes da Fundacam. Segundo a prefeitura, o caso começou a ser descoberto em 30 de outubro do ano passado, quando Rodrigues se apossou de um cheque de R$ 1,5 mil sem nota empenhada.
A descoberta levou à abertura da auditoria, que acabou encontrando irregularidades desde 1995. Em geral, Rodrigues se apossava de cheques com valores entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. O promotor diz que pretende apurar melhor se não aconteceram desvios a partir de 1993, quando o acusado passou a exercer a função de diretor administrativo-financeiro da Fundacam.
Rocha também estranha que o caso tenha demorado quatro anos para ser descoberto. No mínimo, houve negligência de quem estava na presidência da Fundação Cultural, ressalta o promotor. Será que ele era de tanta confiança assim que ninguém estranhava o excesso de pagamentos?
Rodrigues assumiu o cargo em 1993, na gestão do então prefeito e hoje deputado federal Rubens Bueno (PPS). Nessa época, o presidente da Fundacam era o hoje presidente da Câmara de Vereadores, José Eugênio Maciel (PPS).
O ex-diretor da Fundação Cultural, no entanto, continuou no cargo com a posse do prefeito Tauillo Tezelli (PPS), em 1997, quando a presidência da Fundacam passou para o artista plástico Hugo Orsei. Rodrigues também atuou nos comitês de campanha dos candidatos apoiados pela prefeitura nas eleições de 1994, 1996 e 1998.


