‘Ação do interventor foi ilegal’
Andrade Vieira denunciou à CPI as ações de bastidores do Banco Central e do HSBC que visavam prejudicar o Bamerindus
José Paulo Lacerda/Agência EstadoSombrasBello Parga (presidente da CPI), José Roberto Arruda (relator) e Andrade Vieira: depoimento lança dúvidas sobre a ação do BC no sistema financeiroDa Redação e
Agência Estado
No depoimento que prestou ontem à CPI dos Bancos, José Eduardo de Andrade Vieira acusou o atual diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez, de ter agido ilegalmente na condição de interventor no Bamerindus. ‘‘Ele comprou papéis lá fora no dia seguinte à intervenção e não poderia comprar nada’’, acusou.
Este episódio, segundo o ex-ministro e ex-dono do Banco, ajuda a revelar os métodos utilizados pelo BC em relação ao banco, antes e depois da transferência. Ele insistiu que saíram do próprio BC os boatos que prejudicaram o Bamerindus e que em nenhum momento houve qualquer aceno do BC em tentar ajudar a instituição, ao contrário do que ocorreu com outras.
Andrade Vieira revelou também que em agosto de 1996, cerca de um ano antes de da intervenção, a revista ‘‘Veja’’ anunciou o nome de um outro funcionário do BC, Paulo Roberto Simões da Cunha, como o interventor no Bamerindus. ‘‘E o que é pior é que ele reconheceu sua indicação. No dia da intervenção, imaginem quem comandava o pelotão de choque do Banco Central? Exatamente o sr. Paulo, não na condição de interventor, para que as luzes não recaíssem sobre ele e a verdade viesse a público, mas como coordenador principal da intervenção, demonstrando que o BC agiu o tempo todo de forma premeditada’’, disse Vieira aos senadores. ‘‘Que instituição financeira no mundo pode aguentar isto? Pois o Banco Bamerindus do Brasil, fundado por Avelino Vieira, meu pai, aguentou, e por quase dois anos’’.
No depoimento, Vieira diz que o HSBC montou uma estratégia para obter informações privilegiadas de dentro do Bamerindus, muito antes da venda. Ele revelou que em 95 o banco foi procurado por ingleses do HSBC. Pelo acordo, o HSBC passaria a ser correspondente do Bamerindus em todo o mundo. O HSBC acabou efetuando a aquisição de pouco mais de 6% das ações do Bamerindus e, com isso, pôde indicar um membro para o Conselho de Administração do Banco.
‘‘Agora posso entender por que a pessoa indicada pelo HSBC (Peter Negus) nunca assumiu o cargo de conselheiro, mantendo-se como assessor especial. Ele passou a deter informações privilegiadas, sabendo em detalhes diariamente como estavam nossas contas’’, disse Vieira.
O HSBC, ao assumir o banco, detinha informações detalhadas sobre ele, obtidas justamente por Negus. Este trabaho feito pelo HSBC, segundo Vieira, envolveu estruturas ainda mais complexas. ‘‘Soubemos após a intervenção que montaram em um hotel em Curitiba, 30 dias antes, verdadeira paranafernália telefônica para comunicação com Londres. Portanto a aprovação governamental já havia sido concedida’’.

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