São Luís - A Justiça Federal, o Ministério Público e a Polícia Federal no Maranhão divulgaram nota, ontem, deixando claro que duvidam da versão apresentada pelo governo do Estado para justificar a operação de busca e apreensão da Polícia Militar, anteontem, num escritório do serviço de inteligência da PF, em São Luís. Os órgãos federais entendem que o caso precisa ser exaustivamente esclarecido e estudam a possibilidade de abrir inquérito na própria PF para investigar a ação da PM maranhense.
Não se mostra razoável acreditar que as Polícias Civil e Militar não dispusessem de informações sobre a atuação da Polícia Federal no imóvel objeto da busca e apreensão, já que dispõem de recursos materiais e humanos suficientemente adequados para identificar previamente o local e sua destinação, diz a nota.
Embora ninguém comente publicamente, dentro da PF existe a convicção de que a PM foi usada politicamente pela governadora Roseana Sarney (PFL) em represália à corporação. A ação no escritório de inteligência foi feita a pedido da Polícia Militar, subordinada à governadora, e ocorreu 26 dias após a PF ter realizado ação semelhante de busca e apreensão na empresa Lunus, de propriedade de Roseana e seu marido, Jorge Murad.
Na Lunus os policiais federais encontraram R$ 1,34 milhão em dinheiro, cuja origem ainda não foi esclarecida. A imagem das pilhas de notas de R$ 50,00 caiu como uma bomba sobre a candidatura presidencial de Roseana. Às vésperas de deixar o governo, obedecendo ao prazo de desincompatibilização para disputar as eleições em outubro, ela luta para convencer o PFL a continuar na corrida presidencial.
Tanto Roseana quanto o partido e seu pai, o senador José Sarney (PMDB-AP), que recentemente ocupou a tribuna do Senado em defesa da filha, acusam o governo federal e o PSDB de estarem por trás da operação da PF - executada por ordem da Justiça Federal do Tocantins.
A governadora não quis falar sobre a ação da PM maranhense e apenas divulgou o seguinte comentário, por meio de sua assessoria de Imprensa: Estou tão surpresa quanto qualquer brasileiro, disse ela, referindo-se à existência de um escritório do serviço de inteligência da Polícia Federal numa casa onde, segundo a versão da PM, haveria suspeita de atividades criminosas.
Instalado numa casa em área residencial, a cerca de 12 quilômetros do centro de São Luís, o escritório foi alvo de pedido de busca e apreensão por parte do comandante da PM, coronel José Nogueira Lago. O motivo seriam denúncias anônimas alertando para a presença de pessoas suspeitas de assaltos e tráfico de drogas. A juíza da Vara da Infância e Juventude, Francisca Galiza, que estava de plantão no Judiciário Estadual, concedeu o mandado.

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