A denúncia, que conta com mais de 300 páginas, foi oferecida ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) em 12 de fevereiro de 2015. Tramita em segunda instância porque o acusado é deputado, condição que lhe garante foro privilegiado. Nem o MP nem o TJ disponibilizam a íntegra da ação para consulta, alegando "segredo de Justiça". Quem digita o número correspondente no site do Tribunal consegue ler somente a mensagem "processo com acesso limitado". A RPC TV, contudo, teve acesso exclusivo ao teor do documento. Conforme o telejornal ParanáTV, entre os pontos citados está o de que a despesa mensal com os servidores do gabinete de Justus saltou de R$ 83 mil, em fevereiro de 2007, para R$ 1 milhão, em novembro de 2009.
As nomeações no gabinete da Presidência da AL, cuja função é administrativa, também teriam crescido de forma assustadora durante a gestão do político. No início, ele contava com 21 servidores. De fevereiro de 2009 a abril de 2010, fez 345 contratações, nem todas simultâneas. O gabinete chegou a ter, ao mesmo tempo, 180 funcionários, sendo que o limite máximo era de 18. Ainda conforme o telejornal, nos dias de pagamento de salários, dezenas de saques e descontos de cheques de fantasmas eram feitos por uma só pessoa, na boca de um caixa da AL, para beneficiar a quadrilha.
Além da investigação criminal, o MP propôs, em 2015, oito novas ações civis públicas por ato de improbidade administrativa relativas ao caso. Em 13 de março, encaminhou à 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba um processo envolvendo os mesmos acusados. Na mesma data, outro, versando sobre irregularidades em licitação para a contratação de editora pela AL. Neste último, são réus Alexandre Curi, o ex-diretor geral da AL Abib Miguel, conhecido como Bibinho, a editora Cabeza de Vaca e o jornalista Fábio Campana.
Foram ajuizadas, ainda, mais cinco ações questionando a existência de "servidores fantasmas" na folha de pagamento da Casa, todas tramitando na 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Figuram como réus, dentre outros, Justus, Curi e Bibinho. Por utilização de funcionários da Presidência da AL para fins eleitorais, tramita ainda, perante a 5ª Vara, a oitava ação civil pública, em face de Justus e Curi.
Em nota, o MP informou que o ajuizamento dessas ações soma-se a várias outras já propostas ao longo dos últimos anos. "Em decorrência dessa atuação, ressalta-se que o ex-diretor-geral da Assembleia encontra-se preso até a presente data", diz trecho. "O Ministério Público reitera seu compromisso de cumprir, com firmeza e responsabilidade, sua missão constitucional, a despeito das dificuldades inerentes a investigações desse porte", completou o órgão. (M.F.R.)

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