Ação acusa Coimbra por prejuízo ao Estado
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domingo, 01 de dezembro de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Maringá A Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba protocolou uma ação de improbidade administrativa contra o ex-Procurador Geral do Estado, Joel Coimbra, acusado de causar prejuízo ao Estado de mais de R$ 66 mil com a contratação de funcionários ''fantasmas'' para a Assembléia Legislativa. Coimbra foi deputado estadual de 1995 a 1998. A ação do MP surgiu de uma denúncia feita no ano passado, por uma ex-funcionária do deputado, em Maringá, que não sabia que havia sido servidora comissionada da Assembléia.
A ação, assinada por cinco promotores, foi protocolada na 4 Vara da Fazenda Pública de Curitiba. As investigações do MP apontaram que cinco pessoas do escritório político de Joel Coimbra, em Maringá, foram admitidas como servidores comissionados pela Assembléia para funções no gabinete do então deputado. Joel Coimbra responde a ação junto com Flávia Carneiro Pereira, que também foi contratada pela Assembléia, mas atuava como chefe do escritório de Maringá.
Segundo o MP, o deputado conseguiu ''por modo totalmente escuso'' junto à Assembléia, que os vencimentos dos servidores fossem creditados na conta corrente de Flávia Carneiro. Como chefe, Flávia pagava os funcionários com valores abaixo dos recebidos pela AL. Entre as irregularidades, o MP constatou que dois funcionários nunca souberam do contrato como servidores comissionados. Além disso, conforme a promotoria, a exoneração formal dos servidores junto à Assembléia só ocorria meses depois que os funcionários eram desligados do escritório político de Joel Coimbra.
A ação pede ainda a indisponibilidade de bens do ex-deputado para garantia do ressarcimento. Flávia Carneiro, que ainda trabalha no escritório de Joel Coimbra, não quis falar com a Folha. Ela já responde a uma outra ação por improbidade junto com o ex-deputado na 3 Vara Cível de Maringá, porque recebia como assessora da Assembléia e também como servidora com cargo comissionado da Prefeitura de Maringá, em um período da gestão 1997/2000 do ex-prefeito Jairo Gianoto.
O ex-deputado disse à Folha que ''não tem conhecimento da ação e que nunca foi ouvido pelo Ministério Público''. Joel Coimbra afirmou, porém, que o sujeito passivo da ação deveria ser a Mesa Executiva da Assembléia, porque teria sido o órgão responsável pelas nomeações. ''Não há nenhum documento assinado por mim contratando estes funcionários porque eles foram nomeados pela Mesa Executiva'', disse o ex-deputado.
Coimbra também disse que o MP deveria investigar todos os parlamentares, tanto estaduais como federais, porque a manutenção de escritórios políticos com servidores destinados pelo Poder Legislativo ''é praxe, além de coisa corriqueira''. ''Isso não significa improbidade, mas sim um gesto de lealdade dos deputados em manter um local de atendimento ao público porque as pessoas não conseguem ir para Curitiba ou Brasília'', afirmou o deputado.


