Folha Há quanto tempo o senhor está na vida pública?
Anselmo Sou funcionário público de carreira. Comecei como professor primário, fui tesoureiro por seis anos, mas entrei na política em 1982, como candidato a vice-prefeito. Fui eleito, juntamente com o Walter Juliano e assumi a administração geral da prefeitura. Em 92 apoiei o Juliano e ele me apoiou em 96 e estou agora tentando o meu terceiro mandato. Eu e o Juliano derrubamos, naquela época, os antigos coronéis da política. Estamos no poder há 18 e anos acabamos virando os coronéis. Já está na hora (rindo) de alguém derrubar a gente. Mas nossa filosofia é diferente, não perseguimos ninguém.
Folha Como o senhor conseguiu articular para ser o candidato único?
Anselmo Isso não aconteceu por acaso. É o resultado desses 18 anos de trabalho. A gente fez um projeto para mais de 20 anos para que Sengés pudesse chegar ao que é hoje. Essa é uma cidade muito rica, com grande oferta de empregos. Temos mais de 40 empresas, principalmente do setor madeireiro e de celulose. Resultado de nosso projeto de industrialização com a criação de parques e incentivos para os empresários. Durante esses 18 anos a cidade cresceu 400%. Antes, quando a cidade era pequena, havia apenas 20% de asfalto. Hoje, mesmo com o crescimento, 80% da cidade é pavimentada. Graças ao programa gratuito de asfaltamento que lançamos. Criamos o Programa de Saúde Nota 10. Temos uma van com 13 lugares que todo dia leva os pacientes para Ponta Grossa e Curitiba. Isso com enfermeira no veículo e até lanche por nossa conta. Colocamos uma ambulância em cada ponto estratégico, são quatro na zona rural e duas na cidade.
Folha Como o senhor consegue recursos para oferecer transporte diário e até alimentação? Qual é o orçamento e o que representa a folha de pagamento nas finanças de Sengés?
Anselmo Com muito sacrifício e brigando por preços menores. O orçamento anual é em torno R$ 7 milhões. A arrecadação passa um pouco de R$ 400 mil por mês. Temos 420 funcionários e a folha de pagamento passa de R$ 200 mil. Mas, além da saúde, temos um projeto modelo de educação que pode ser adotado por outros municípios. Compramos um livro da Editora Base. Ele é editado para cada bimestre e, além dos filhos, o pai recebe um volume para acompanhar o aluno. Esse projeto me custa R$ 15 mil por mês e atende a 3 mil alunos. É o Projeto Apoio. Temos a horta comunitária que reforça a merenda escolar. São cinco cardápios, um para cada dia da semana. Além disso construímos o Calçadão, criamos o Disk-Lixo e a Festa do Peão. Tenho trazido nessa festa os grandes nomes da música sertaneja, inclusive Chitãozinho e Xororó, tudo de graça para o povo.
Folha Quantas secretarias tem a prefeitura?
Anselmo Treze ou quatorze, mas nenhuma é ocupada por políticos. Só temos técnicos, pessoas que foram capacitadas para atuar nos cargos que ocupam. Não admito político como secretário. Esses dias, um amigo político quis negociar um cargo em troca de apoio e eu disse não. Político na prefeitura só eu. Assim, quando viajo tudo funciona bem. Se tivesse político eles iriam afundar as finanças e fazer coisas que não devem.
Folha Mas qual é o segredo para ter atraído os adversários para sua campanha?
Anselmo Bem, penso que eles reconheceram o meu trabalho. Também, fui convidando alguns para integrar minha coligação. Todos acabaram concordando com minha proposta. Os vereadores do PDT foram os últimos, mas como ficaram sozinhos, também acabaram aderindo. Não seria bom mais de uma candidatura. Os gastos seriam enormes. Se saíssem dois candidatos iríamos gastar perto de R$ 1 milhão. Sem concorrente, fiz um bolão na campanha para ajudar a todos os candidatos a vereador. Apoiamos os 39 vereadores, incluindo propaganda, gasolina e acho que o gasto com cada um deve chegar perto de R$ 5 mil.
Folha Como é fazer uma campanha sem adversário?
Anselmo Não existe aquele entusiasmo de você estar competindo contra alguém. Mas eu tenho três adversários: os votos brancos, os nulos e também o rigor da nova legislação eleitoral. Por exemplo: se tivesse um opositor e eu fizesse cinco mil votos e ele três mil, então, eu sairia como o grande vencedor, justamente porque quando há disputa ninguém quer saber a quantidade de nulos e brancos. Mas agora é diferente. Vou concorrer contra um candidato invisível. Com a urna eletrônica, será grande a quantidade de nulos e brancos, pois a maioria não sabe votar. Mesmo que eu tenha uma boa votação, é certo que a votação em branco será grande e isso vai me enfraquecer politicamente.
Folha Como candidato único e com a nova lei eleitoral a parte festiva de sua campanha será prejudicada?
Anselmo É verdade, mas a população sabe que mesmo fora do período eleitoral eu sempre promovo alguma coisa. No casamento da minha filha, matei 23 cabeças de gado. Só para organizar a festa, foram 200 pessoas, todas com crachá. Na festa das minhas bodas de prata matei 13 cabeças. E lá em casa o fogão fica aceso direto. Com os empregados, comem diariamente de 60 a 70 pessoas por dia. Eu mato três capados por semana e uma cabeça de gado a cada 15 dias. São pessoas trazidas pelas ambulâncias, outros que vêm da zona rural e companheiros que aparecem em casa. Ninguém precisa avisar.
Folha O que seus adversários pensam sobre seu estilo?
Anselmo Olha, quando eu faço uma festa eu convido todo mundo, inclusive os meus adversários. Alguns aparecem por lá. Quando fiz a festa da minhas bodas de prata, além do churrasco à vontade, distribuí 5 mil facas. Todas tinham o desenho de um coração, que é o meu símbolo, com o meu nome dentro – mas é preciso dizer que tudo isso foi feito fora do período eleitoral. O certo é que eu procuro atrair as pessoas. Para os jovens, tenho promovido motocross, rodeios, festa no Calçadão, torneios de futebol; para a maior idade, oferecemos excursão, jantares, levamos para o hotel-fazenda e também para o Vale do Sonho, em Carlópolis. Oferecemos tudo de graça, transporte e alimentação e vamos fazer o recinto de lazer da maior idade que será uma modelo.
Folha O senhor é um populista...
Anselmo Não, sou de linha popular, mas não populista. Tudo o que eu faço é espontâneo e faz parte da minha personalidade. Meu gabinete não é na prefeitura. Eu apenas passo por aqui. Meu gabinete é na minha caminhonete, no meio da rua e também na minha casa ou onde eu encontrar o povo que precisa de ajuda. Não quero fazer nada diferente, pois é assim que as pessoas me conhecem e me aceitam. Não vou mudar meu estilo porque sou prefeito. Sou um homem popular e pronto.

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