Curitiba - Embora seja compreensível a indignação da população com declarações como a do presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP), que defendeu a contratação de seus seis parentes só porque teriam diploma universitário, a proibição total da contratação de parentes também não é vista como a solução ideal para muitos deputados. Nesse caso, servidores que são competentes poderiam ser penalizados apenas por terem parentesco com alguma autoridade.
O deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT) ressalta que a elaboração de uma lei que combata o nepotismo sem causar injustiças é complexa. ''O problema não é a nomeação de parentes. O problema é o abuso, é a escolha de parentes que não têm vocação para o serviço público. É difícil estabelecer um critério em lei para avaliar se a contratação de um parente foi lesiva ou não. Esse critério deveria ser a produtividade do servidor, o que é muito subjetivo'', comentou Zucchi.
O pedetista prefere não contratar parentes para assessorá-lo. ''Eu não contrato por um motivo simples: tenho por regra não contratar quem não posso demitir. De repente você contrata um parente que não atende suas expectativas e você fica numa situação chata para demitir'', afirmou Zucchi.
Muitos também defendem a nomeação de parentes porque eles ocupam cargos que por sua própria natureza são de confiança, e não poderiam ser exercidos por opositores do contratante, por exemplo. São cargos de chefia, direção e assessoramento. Ao contrário do que muitos acreditam, essas nomeações não são permanentes como a estabilidade creditada aos servidores que passaram por concurso público.
Mesmo reconhecendo que em certos casos a contratação de parentes seria justificada pela competência técnica, o deputado Neivo Beraldin (PDT) não emprega familiares em seu gabinete. ''Realmente não fica bem com a população, e na maioria dos casos podemos encontrar outros técnicos com competência semelhante. Mas também acho demagogia demonizar a contratação de parentes indiscriminadamente'', comentou Beraldin.(R.S.)

SAIBA MAIS
A palavra nepotismo vem do latim ''nepotis'', que quer dizer sobrinho. O termo começou a ser utilizado devido aos papas da Igreja Católica, que frequentemente nomeavam seus sobrinhos para cargos eclesiásticos importantes. Historiadores afirmam que em vários casos os ''sobrinhos'' seriam na verdade filhos não-reconhecidos pelos papas e cardeais devido ao voto de celibato imposto a eles.

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