Abstenção ultrapassa os 21,7 milhões
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terça-feira, 06 de outubro de 1998
Mariângela Gallucci e Sandra Sato Agência Estado 
Até as 18h30 de ontem, com 85,97% das seções apuradas, a projeção era de que 21,7 milhões de brasileiros não votaram domingo. Esse número representa abstenção de 20,5%. A evolução das apurações indicava uma tendência de um índice ainda maior. Nas eleições presidenciais de 94, o índice de faltas ficou em 17,8%. No primeiro turno das eleições para prefeito de 96, as abstenções ficaram em 18,3%. No segundo turno, subiram para 19,4%.
O secretário de Informática do TSE, Paulo César Camarão, espera que a abstenção deste ano oscile entre 18% e 19%. Mas não há nada de anormal, disse. O presidente do TSE (Ilmar Galvão) e o corregedor (Eduardo Ribeiro) estão atentos para isso, afirmou Camarão. Além da morte de eleitores, o secretário afirma que fatores climáticos podem ter determinado a ausência.
Curiosamente, os estados que adotaram a urna eletrônica registraram grandes índices de abstenção na eleição presidencial, como é o caso do Rio de Janeiro, onde 20,23% do eleitorado deixou de ir às urnas, ou de Roraima, cujo índice atingiu 21,63%. O número de cariocas que não votou no domingo passou de 2 milhões, quase três vezes mais que o número de votos dados ao candidato à Presidência pelo PPS, Ciro Gomes. E bem próximo aos 2.848.277 de votos que o presidente reeleito Fernando Henrique conquistou no Rio. Ou do campeão de votos no Estado, o candidato do PT, Lula, que contou com a preferência de 2.851.274 eleitores cariocas.
Em Alagoas, outro local em que se usou a urna eletrônica, o índice de abstenção foi o recorde desta eleição, atingindo 28,22%, ou 390.465 eleitores O número supera o total de votos obtidos pelo governador já eleito no primeiro turno, Ronaldo Lessa (PSB), que conquistou 387.021. FHC foi o mais votado no Estado obtendo 54,79% dos votos válidos. Enquanto Lula ganhou apenas 22,42%. Na eleição presidencial de 1994, a abstenção foi bem inferior: 15,37%.
Entre os campões em abstenções, além de Alagoas, estão Rondônia (27,30%), Paraíba (23,67%), Espírito Santo (21,78%), Amazonas (22,53%) e Acre (24,22%). Apesar de a abstenção ter sido maior nessas eleições, nenhum Estado atingiu a marca de 32,87% como ocorreu no Pará nas eleições passadas. E o Amapá ainda redimiu-se em relação às eleições passadas quando 27,66% do eleitorado não compareceu às urnas. Desta vez, o índice caiu para 13,57%.


