Abstenção preocupa comitê de Cardoso
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Gerson Camarotti e Cláudia Carneiro Agência Estado 
Nem Lula, nem Ciro. A maior preocupação do comitê da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, a menos de uma semana das eleições, é com a grande abstenção que pode haver nas urnas. Nessa reta final da campanha, todas as fichas serão jogadas para induzir o eleitor a votar. O próprio presidente deu a senha, quando disse em Pelotas para que cada um dos seus eleitores mobilize os amigos e vizinhos para ir votar no dia 4 de outubro, observou o coordenador político da campanha, Euclides Scalco.
A avaliação dentro do comitê é que, a essa altura, só a abstenção poderá impedir Fernando Henrique de obter uma votação consagradora, superando os 50 pontos percentuais. Durante toda a campanha, os marqueteiros de Fernando Henrique não se deram conta de que, ao deixar a campanha em banho-maria para neutralizar o debate entre os candidatos, acabou esfriando o próprio interesse do eleitor por esse disputa.
Nas últimas semanas, os coordenadores do comitê começaram a se preocupar com a necessidade de assegurar o voto do eleitor preguiçoso - como definem. O alvo é a mais grossa fatia do eleitorado que não tem compromisso sério com o voto.
Como o candidato tucano não dispõe de uma militância aguerrida no perfil daquela que vota em seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o comitê central da reeleição definiu como principal instrumento de ação para mobilizar o eleitorado os candidatos a deputado federal e estadual. Mandou recado para todos os comitês estaduais, por meio de seus coordenadores, que a ajuda dos candidatos aliados é importantíssima para dar ao presidente um resultado inédito nas urnas. Com uma eleição recorde, Fernando Henrique terá condições políticas muito melhores de iniciar a mobilização que pede do Congresso.
Contamos com o apoio dos candidatos a deputado federal e estadual, que também precisam de votos, para ajudar nessa mobilização, ressaltou o coordenador político Scalco. Há uma semana, o vice-presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), levou ao comitê a mesma preocupação.
Como haverá um intervalo entre o fim do programa eleitoral no rádio e na televisão e o dia da eleição, José Jorge alertou o comitê central que era preciso preencher esse vácuo com algum fato de campanha, para combater o desânimo do eleitor.


