Abstenção preocupa candidatos na França
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sábado, 20 de abril de 2002
Agência EFE 
ParisA abstenção e os votos de protesto podem ser os grandes vencedores do primeiro turno das eleições presidenciais francesas de hoje, domingo, no qual concorrem 16 candidatos, um número recorde. Ontem os candidatos não fizeram campanha para conceder aos mais de 40 milhões de franceses que irão às urnas um tempo de serenidade a fim de que se decidam, após uma campanha oficial de duas semanas que deixou 54 por cento do eleitorado pouco ou nada interessado nestas eleições.
Um panorama de desinteresse e de dispersão de votos que inquieta os dois principais adversários, o neogaullista Jacques Chirac e o socialista Lionell Jospin.
Chirac, atual presidente, e Jospin, primeiro-ministro, são os grandes favoritos para a disputa do segundo turno, em 5 de maio. Mas juntos eles não possuem nem 40 por cento das intenções de voto. Por isso, pediram mobilização geral da sociedade.
Eles têm consciência de que se as previsões forem cumpridas e os dois passarem para o segundo turno, ambos terão dificuldades se forem votados por menos de 20 por cento dos eleitores. Muitos, inclusive, dirão que o presidente escolhido em 5 de maio será mal eleito, sem despertar entusiasmo na população.
As pesquisas apontam que a abstenção pode ser de 30 por cento, superando amplamente o recorde do primeiro turno de eleições presidenciais, de 22,4 por cento, em 1969. No primeiro turno das últimas eleições, em 1995, o índice de abstenção foi de 21,6 por cento.
A analista Françoise Sibileau explicou ontem no jornal Libération que há vários tipos de abstencionistas. A decisão de não votar é influenciada pelo grau de inserção social, a idade e o nível de educação. Porém, no atual fenômeno é preciso ver também a insuficiente oferta política e a falta de questões em jogo, afirmou.
Já o voto de protesto, que foi de 21 por cento em 1995, está entre 25 e 28 por cento nas últimas pesquisas. Estas colocam o ultra-direitista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, na terceira posição, com 14 por cento.
Como explicar o desinteresse do eleitorado e a força do voto contestatário? Os especialistas elaboram várias hipóteses:
Cinco anos de coabitação (presidente de um partido e primeiro-ministro de outro), a mais longa das três da V República; a dificuldade dos votantes em perceber uma diferença real entre os projetos dos dois; a suposição de que eles serão os finalistas; e o fato de que, com 69 anos (Chirac) e 64 (Jospin), os candidatos estão há quatro e três décadas na política, respectivamente.


